O grupo Fleury anunciou, nesta terça-feira (4), a aquisição do Femme Laboratório da Mulher, em São Paulo, por R$ 207,5 milhões. Esta é a 22ª aquisição da empresa desde 2017, somando R$ 2,2 bilhões em investimentos.
A operação, comunicada ao mercado em fato relevante enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) após o fechamento do mercado ontem, ocorre uma semana depois do anúncio da aquisição pelo grupo do Laboratório São Lucas (LSL), em Rio Claro (SP).
O grupo informou que a operação faz parte da estratégia de combinar crescimento orgânico e inorgânico, por meio de fusões e aquisições (M&As). “Reforçamos nosso posicionamento no segmento intermediário em São Paulo, em termos de podermos completar a jornada de cuidado da saúde da mulher”, disse Jeane Tsutsui, presidente do Grupo Fleury, ao Valor.
Com a operação, o grupo passará a ter 582 unidades de atendimento no país, em 13 Estados e no Distrito Federal. Somente no Estado de São Paulo, são 142.
A empresa calcula um múltiplo implícito de 5,5 vezes a relação entre o Valor da Empresa (EV, em inglês) e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês), com a perspectiva de alcançar 3,3 vezes EV/Ebitda pós-sinergias.
O Femme, com mais de 50 anos de existência e 12 unidades de atendimento, sendo 11 na capital paulista e uma em Osasco, Grande São Paulo, é referência em saúde da mulher, com serviços de análises clínicas e de imagens, incluindo ginecologia, ultrassonografia, medicina fetal, entre outros. A rede conta com 1,4 mil funcionários e 400 médicos na atenção diária.
O Fleury disse que a aquisição ocorre para complementar o portfólio de marcas da companhia e por conta da relevância do negócio. Nos últimos 12 meses encerrados em 2024, o Femme registrou R$ 287 milhões de receita. “É um impacto grande em termos de tamanho de aquisição”, afirmou Tsutsui.
O grupo atribui ainda a operação à demanda crescente por rastreamento e diagnóstico precoce de quadros oncológicos femininos, além de outras necessidades ginecológicas.
Questionado se o grupo pretende continuar buscando novas oportunidades de aquisições e se há espaço financeiro para tal, o diretor financeiro do Fleury, José Antonio de Almeida Filippo, respondeu afirmativamente. Ele disse que a estratégia de baixa alavancagem do grupo, entre 1 vez e 1,2 vez, abre caminho para novas investidas, e que a estratégia de mirar empresas já operantes é outro fator que ajuda.
“As empresas que estamos falando nessas aquisições, são companhias já estruturadas, com resultado, Ebitda e geração de caixa. Elas, uma vez incorporadas ao portfólio do Fleury, contribuem com todos esses aspectos financeiros e econômicos”, disse o executivo.
Segundo Filippo, o porte de aquisição do Femme é maior e que o histórico recente do grupo inclui aquisições menores, mais representativas do “pipeline” que o Fleury prospecta. “Não é comum de se ter toda hora uma oportunidade como esta”, afirmou.
“Mas, obviamente, tudo está associado a atingirmos parâmetros econômico-financeiros que temos como referência”, disse.
A efetivação da aquisição do Femme, diferente da do LSL, que foi pequena e somou R$ 34 milhões, ocorrerá apenas após aprovação do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O processo de integração da rede ao grupo Fleury deve ter início apenas após a conclusão do processo. O grupo não estimou previsão para isso, já que o trâmite depende da avaliação do órgão regulador. As apões do grupo fecharam nesta terça-feira na B3 negociadas a R$ 14,55, com alta de 0,14%.
Fonte: Valor Econômico