As ações da Novo Nordisk caíram até 20% nesta quarta-feira (4), à medida que a farmacêutica dinamarquesa de medicamentos para obesidade alertou que enfrentará pressões de preços “sem precedentes” em 2026, refletidas na projeção de uma forte queda nas vendas este ano.
A companhia, fabricante do Ozempic e do Wegovy, surpreendeu o mercado com uma previsão de que lucros e vendas poderiam cair até 13% neste ano, encerrando anos de ganhos de dois dígitos, à medida que a iniciativa do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para cortar custos de medicamentos se soma à pressão da concorrência acirrada no mercado de perda de peso.
“Nossa projeção para 2026 reflete um ano de pressão de preços sem precedentes”, disse o diretor-presidente da Novo Nordisk, Mike Doustdar, a jornalistas em uma teleconferência, acrescentando que espera que o impacto “doloroso” nas finanças da Novo seja um “investimento para o nosso futuro”.
A queda das ações na quarta-feira eliminou mais de 40 bilhões de euros do valor de mercado da empresa, que estava em 216 bilhões de euros no fechamento de terça-feira. Há pouco, os papéis caíam 17% na Bolsa de Copenhagen.
A pressão nos EUA está sendo impulsionada mais por uma mudança maior do que o esperado em direção a pacientes que pagam do próprio bolso e por crescentes demandas de descontos por parte das seguradoras do que pela política de nação mais favorecida do governo Trump para reduzir os preços dos medicamentos, disse o diretor financeiro Karsten Munk Knudsen à Reuters em uma entrevista.
Espera-se que as vendas nos EUA caiam na faixa de dois dígitos, entre 13% e 19%, disse Knudsen, sinalizando uma queda potencialmente mais acentuada do que a previsão da empresa de um declínio geral de vendas de 5% a 13% este ano.
A queda brusca no preço das ações, que desencadeou baixas em outras fabricantes de medicamentos para obesidade, desfez um início de ano promissor para as ações da Novo, impulsionado pelas fortes vendas de sua nova pílula Wegovy.
“A Novo forneceu uma projeção chocante para 2026”, disse Markus Manns, gestor de portfólio da Union Investment, que detém ações da Novo e da Eli Lilly.
“Ninguém tinha um declínio de lucro de dois dígitos na agenda.”
As vendas subiram 10% no ano passado, e os analistas haviam, em média, previsto um declínio de 2% este ano, de acordo com uma pesquisa compilada pela empresa.
A Novo está vendendo doses menores de sua pílula diária nos Estados Unidos por US$ 149 por mês para pacientes que pagam do próprio bolso, subindo para US$ 199 em abril. A Eli Lilly planeja limitar o preço de doses mais altas de sua pílula para obesidade, se aprovada, em US$ 399 por mês para compradores recorrentes que pagam em dinheiro.
Ambas as empresas reduziram os preços de seus injetáveis para clientes que não pagam com seguro saúde. A Novo começou a vender sua injeção Wegovy por US$ 349 mensais para pagantes particulares em novembro.
A Novo espera que o lucro operacional ajustado e as vendas ajustadas a taxas de câmbio constantes caiam entre 5% e 13% este ano. A empresa atribuiu isso a preços realizados mais baixos, especialmente nos EUA, concorrência acirrada e a expiração de patentes da semaglutida, o princípio ativo de seus medicamentos Wegovy e Ozempic, em alguns mercados fora dos Estados Unidos.
A empresa também enfrenta um desafio de medicamentos copiados, com cerca de 1,5 milhão de americanos usando versões manipuladas de medicamentos para perda de peso GLP-1 em vez de produtos de marca.
Knudsen disse que a Novo ainda está frustrada com o fato de que o “marketing em massa de um produto não aprovado pela FDA” continua, e disse que cabe ao regulador dos EUA e aos políticos dos EUA resolverem isso. “Prever se e quando a maré vai virar é muito difícil”, disse Munk, referindo-se ao mercado de manipulação.
A Novo informou que as prescrições semanais para o Wegovy oral atingiram cerca de 50 mil até 23 de janeiro, bem acima das 20 mil por semana indicadas pelos dados de rastreamento de mercado, que não capturam vendas via canais de pagamento particular, como NovoCare e serviços de telessaúde.
Manns, da Union Investment, concordou que as fortes vendas da pílula, com consumidores aparentemente dispostos a pagar do próprio bolso, ofereceram “um vislumbre de esperança”.
O lançamento do Wegovy pela Novo em junho de 2021 desencadeou um boom na demanda por medicamentos para obesidade e um crescimento meteórico para a empresa dinamarquesa. Em 2024, era a empresa listada mais valiosa da Europa, avaliada em US$ 600 bilhões. No fechamento de terça-feira, caiu para US$ 259 bilhões.
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Fonte: Valor Econômico