A União Química avalia a aquisição de ativos dentro e fora do Brasil para expandir a operação. Na frente internacional, o foco principal são os Estados Unidos, mas o interesse em ampliar o comércio com outras partes do mundo, como a Eurásia e o Oriente Médio, não está descartado. Esta última opção, hoje palco de guerra entre EUA, Israel e Irã, é a região com a qual a empresa já teve tratativas no passado para construção de fábrica.
“Aquela parte [Oriente Médio] do mundo tem muita possibilidade de negócio, como de exportação e de aumento de comércio com a Eurásia”, disse ao Valor o presidente da empresa, Fernando de Castro Marques. “Com a guerra, tudo fica mais difícil e temos de dar o tempo certo para ver até quando vai. Vamos torcer para que termine logo, mas é uma área que temos interesse.”
A empresa contratou, neste ano, o UBS BBCotação de BB para buscar investidor financeiro como sócio e quer ampliar parcerias com farmacêuticas internacionais. Em 2025, uma parceria foi com a americana Merck Sharp & Dohme (MSD), através da planta de biotecnologia da farmacêutica em Augusta, na Geórgia (EUA). No arranjo, o medicamento para gado leiteiro daquela unidade, dedicada à produção de biológicos veterinários, passou a ser distribuído pela MSD para outras partes do mundo, como estratégia de combinar produção própria e alianças para ampliar o alcance internacional.
Nos EUA, a estratégia de expansão inclui também novas parcerias para licenciamento de produtos e a obtenção de registros para medicamentos já produzidos no Brasil, com a finalidade de exportação àquele mercado.
“Esse produto que já vendemos no Brasil, estamos tirando registro nos EUA”, disse Marques. A empresa já conta com unidades habilitadas para esse tipo de operação e já produz de forma terceirizada para laboratórios daquele mercado, como a própria MSD, além de empresas como a alemã Bayer e a suíça Novartis, incluindo ainda companhias brasileiras.
Em aquisições, a União Química segue avaliando ativos em veterinária e farmacêutica, segmentos em que já atua. “Ativos de novas unidades fabris ou marcas no mercado americano ainda estamos avaliando, sem nada fechado”, disse Marques.
No mercado doméstico, a farmacêutica concluiu, no ano passado, a aquisição da fábrica da MSD Saúde Animal, em Montes Claros (MG), em movimento de entrada no segmento de imunobiológicos, com foco em vacinas. O negócio deve impulsionar os resultados financeiros deste ano.
Contudo, o desempenho recente mostrou ambiente desafiador. O ano de 2025, disse Marques, foi de “aperto” para a indústria farmacêutica. No período, a União Química registrou alta de 4,7% na receita, para R$ 4,4 bilhões, mas teve queda de 26% no lucro, para R$ 250,5 milhões. O resultado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) caiu 5%, para R$ 805 milhões.
A empresa atribui o resultado à combinação de fatores macroeconômicos e também a atrasos da Anvisa, a agência reguladora brasileira, na aprovação de novos registros de medicamentos. “Os poucos que saíram, saíram no final do ano”, disse.
Dados da IQVIA mostram que as vendas da empresa cresceram 9,7% em 2025, abaixo da média do mercado, de cerca de 12%. A companhia ainda considera o resultado positivo. “Esse crescimento do mercado está muito atrelado aos produtos para as seringas para emagrecer. Quando olhamos as linhas tradicionais, [o crescimento do mercado] é de 2%”, disse o presidente.
A projeção para 2026 é de crescimento acima de dois dígitos em receita e lucro, sustentado pela normalização do fluxo de registros regulatórios e pela conclusão da ampliação das unidades de Pouso Alegre (MG) e de Taboão da Serra (SP).
Em 2025, os investimentos da farmacêutica em pesquisa e inovação somaram R$ 272,7 milhões, ou 6,2% da receita do grupo, alta de 21%. O aporte na frente é a aposta da empresa, e a ambição é que continue crescendo. “Apesar do cenário desafiador, a estratégia da companhia ficou inalterada”, disse Marques.
Fonte: Valor Econômico