A farmacêutica indiana Sun Pharma e a EMS são apontadas como favoritas para comprar a Medley, laboratório genérico que pertence à francesa Sanofi. Outras companhias nacionais também estão no páreo, como Aché, Biolab e HyperaCotação de Hypera, além da gestora Vinci Partners, segundo fontes ouvidas pelo Valor.
O processo de venda está entrando em um nova fase, no qual a multinacional francesa passará a receber, entre o fim de fevereiro e início de março, as propostas vinculantes pelo negócio, disse uma das pessoas a par do assunto.
A Medley, que já foi líder do setor de genéricos e hoje está em terceira no ranking das maiores, foi colocada à venda pela Sanofi no ano passado.
A expectativa inicial da multinacional era levantar cerca de US$ 1 bilhão (cerca de R$ 5,4 bilhões) com o ativo, segundo fontes. As propostas das nacionais indicam algo em torno de R$ 2 bilhões. A expectativa é de que a Sun Pharma possa fazer um desembolso maior para entrar no mercado como uma das maiores do setor.
Além do interesse de investidores estratégicos, a gestora Vinci Partners é a única investidora financeira que está de olho no negócio. O Valor apurou que o fundo pode fazer uma composição com um dos grupos nacionais para seguir adiante nas negociações.
Fontes afirmam que a Sun Pharma tem interesse no mercado de genéricos do Brasil e, se fechar a aquisição, poderá transformar o mercado de genéricos no país. Avaliada em US$ 44 bilhões na bolsa e um portfólio enorme de medicamentos, a Sun Pharma é conhecida por sua política de baixo custo, o que poderá pressionar outras farmacêuticas concorrentes.
A farmacêutica indiana já atua no mercado brasileiro, por meio da importação de medicamentos produzidos em outros países, com presença nos mercados público e hospitalar. Segundo fontes da indústria, por enquanto, nenhum laboratório da Índia tem parque fabril no país.
“A vantagem dos indianos é o domínio da matéria-prima. A Medley daria a eles uma marca com boa reputação e portfólio importante, mas não vejo uma potencial aquisição de fábricas no Brasil [por players da Índia] como vetor de mudança na indústria”, disse um empresário do setor, na condição de anonimato.
Conforme esse empresário, o custo de produção de medicamentos na Índia é “certamente” mais baixo do que no Brasil e, mesmo com os custos de importação, os produtos indianos conseguem chegar com preço mais baixo no mercado brasileiro. “Ter um ativo industrial local não necessariamente significará ser ainda mais competitivo”, ponderou.
As empresas interessadas no ativo estão na fase de apresentação de desempenho e de diligências.
A multinacional francesa comprou a Medley em 2009, por cerca de R$ 1,5 bilhão, tomando a frente do mercado de genéricos local. A farmacêutica pertencia à família Negrão. Na época, a companhia adquirida tinha vendas anuais da ordem de R$ 500 milhões. Fontes ouvidas pela reportagem afirmam que o Ebitda da companhia gira em torno de R$ 200 milhões.
Procurada, EMS confirma o interesse. Biolab, HyperaCotação de Hypera e Vinci Partners não comentam. A Sun Pharma não retornou os pedidos de entrevista até o fechamento desta edição.
Ao Valor, a Sanofi afirmou que, à medida que a companhia avança em sua transformação global para se tornar uma líder biofarmacêutica impulsionada por P&D e IA, focada em vacinas e medicamentos inovadores, “está avaliando opções estratégicas para o negócio de genéricos Medley visando garantir seu crescimento e sucesso contínuos”.
A multinacional afirmou também que, após o anúncio sobre o processo de independência da Medley, em agosto de 2025, a farmacêutica está explorando oportunidades com potenciais parceiros cuja visão esteja alinhada com a nossa estratégia. “Permanecemos totalmente comprometidos com a missão da Medley de democratizar o acesso à saúde no Brasil, mantendo sua posição de liderança no mercado de genéricos alcançada com excelência e inovação.”
Fonte: Valor Econômico