A farmacêutica indiana Lupin, uma das maiores fabricantes de medicamentos genéricos do mundo, colocou à venda sua operação no Brasil, apurou o Valor.
A multinacional, que é a principal fornecedora global do antibiótico etambutol, usado no tratamento da tuberculose, está buscando cerca de R$ 300 milhões pelos ativos no país, segundo fontes próximas às negociações. O UBS BB assessora a indiana.
Ao menos dois laboratórios chegaram a analisar o negócio: a brasileira Biolab e uma farmacêutica canadense. A Biolab, contudo, não teria avançado nas tratativas até o momento, embora a aquisição pudesse fazer sentido estratégico para a companhia, na avaliação de uma fonte do setor.
Se tivesse avançado, complementaria seu portfólio, composto por cerca de 500 itens, distribuídos entre linha humana e animal, com os produtos da subsidiária da indiana, que atua no campo de medicamentos isentos de prescrição, hospitalar e de suplemento alimentar.
Atualmente, a Biolab está presente sobretudo em cardiologia. Mas também atua em áreas como ginecologia, dermatologia, pediatria, sistema nervoso central, angiologia e ortopedia. A farmacêutica brasileira tem negócios ainda no Canadá, por meio da subsidiária Exzell Pharma, adquirida em 2022.
Segundo outra fonte, a Lupin, que tem sede em Mumbai, colocou a operação brasileira à venda há algum tempo e estaria encontrando dificuldades para concluir o negócio — o preço buscado estaria além da qualidade do ativo, comentou uma fonte.
O processo de desinvestimento da MedQuímica, que é a operação brasileira da Lupin, acontece pouco mais de dez anos depois de sua aquisição, em 2015. As últimas demonstrações financeiras da subsidiária brasileira auditadas pela KPMG mostram que o ano fiscal encerrado em março de 2025 enfrentou situação desafiadora.
Naquele período, a MedQuímica registrou prejuízo operacional de R$ 59,6 milhões, praticamente o mesmo patamar do período imediatamente anterior, e prejuízo líquido de R$ 112,1 milhões, ampliando as perdas de R$ 85,2 milhões registradas anteriormente. O passivo circulante da companhia também excedeu o ativo circulante em R$ 196,2 milhões no último ano fiscal.
Globalmente, a farmacêutica projetou receitas equivalentes a US$ 3,3 bilhões no ano fiscal de 2026.
Em nota, a MedQuímica e a Lupin disseram que não comentam especulações de mercado. “Independentemente de eventuais avaliações estratégicas conduzidas pela controladora, as operações no Brasil seguem normalmente. A companhia mantém seu plano de negócios, os investimentos previstos e o compromisso com a qualidade, a inovação e o acesso da população a medicamentos”, acrescenta.
/i.s3.glbimg.com/v1/AUTH_63b422c2caee4269b8b34177e8876b93/internal_photos/bs/2026/n/O/oObaZ5T2CVo37JiVY9Sw/medquimica.png)
Fonte: Valor Econômico