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A Biolab terá, pela primeira vez em 27 anos, um executivo de mercado e não um sócio no comando de seus negócios. Ex-CEO do Grupo Alfa, que pertencia ao banqueiro Aloysio Faria, Fabio Amorosino assumirá oficialmente a presidência da farmacêutica brasileira em 1º de outubro, sucedendo a Cleiton de Castro Marques, fundador e um dos acionistas da companhia.
Embora não venha do quadro de sócios da farmacêutica, Amorosino já participava do negócio, sobretudo das decisões estratégicas. Com uma carreira construída no mercado financeiro, o executivo é conselheiro independente da Biolab há dois anos. “Buscar [um CEO] no mercado poderia ser algo traumático para a empresa”, diz Marques. O futuro presidente já fez uma imersão nas atividades operacionais da farmacêutica.
O processo de sucessão na Biolab, que em junho aparecia na 10ª posição do ranking da IQVIA, que audita o varejo farmacêutico, em receita de vendas de medicamentos no país, começou a ser organizado há alguns anos. Inicialmente, se concentrou no aprimoramento da estrutura de governança, com suporte da consultoria McKinsey, que trabalhou “dentro” da empresa por um ano, entre 2018 e 2019.
A pandemia acabou reduzindo o ritmo dos trabalhos, que passado o auge da covid-19 voltaram a ganhar velocidade e, há dois anos, culminaram na instalação de um conselho consultivo. O colegiado conta com três membros independentes – um dos assentos estava justamente com Amorosino – e os três sócios da farmacêutica (Marques, seu irmão Paulo e Dante Alario Junior). “O interessante é que a tomada de decisão no conselho é sempre consensual”, contou Amorosino.
Ao Valor, Marques contou que parte da nova geração da Biolab, incluindo seus filhos, trabalha na farmacêutica, mas a decisão pela escolha de um profissional do mercado foi o caminho natural, uma vez que os herdeiros mais novos não estão ainda preparados para assumir o negócio. Os três sócios, que vinham presentes no dia a dia operacional de alguma forma, estão gradualmente caminhando apenas para o conselho.
A família Marques tem longa tradição no setor farmacêutico. Fernando Marques, irmão de Cleiton, é dono da União Química. Já o sobrinho do empresário, João Adibe, comanda a Cimed, fundada por João de Castro Marques, também irmão de Cleiton.
A Biolab, segundo ele, está em um momento importante de internacionalização. O grupo estabeleceu um centro de pesquisa e tem negócios no Canadá, país que tem um ambiente favorável para desenvolvimento de produtos inovadores e serve como porta de entrada para outros mercados de língua britânica.
A farmacêutica tem ampliado os negócios no segmento veterinário e já ocupa a sexta colocação no segmento “pet”. Ainda assim, o caminho é seguir apostando em medicamentos (para humanos) de prescrição, responsáveis por 85% dos negócios, segundo o empresário. “Estamos em genéricos porque é preciso jogar nesse mercado”.
Conforme Marques, a companhia deve reforçar investimentos fora do país em P&D por dar uma segurança maior. Com três fábricas em São Paulo, a Biolab, que junto com a Universidade de São Paulo (USP) foi responsável pelo desenvolvimento de um medicamento inovador para tratamento da náusea, o Vonau Flash (ondansetrona), está investindo R$ 1 bilhão em um novo complexo industrial, em Pouso Alegre (MG). A farmacêutica, que tem mais de 400 patentes registradas, deve encerrar o ano com faturamento de quase R$ 3 bilhões.
O novo complexo industrial da Biolab, que conta com 4 mil funcionários, deve inaugurar no ano que vem em Pouso Alegre, cidade mineira que se torno polo da indústria farmacêutica nacional.
Fonte: Valor Econômico