O governo dos Estados Unidos anunciou nesta segunda-feira (1º) um acordo com o Reino Unido para isenção de tarifas sobre o setor farmacêutico e tecnologia médica. O tratado também inclui um aumento na porcentagem do orçamento Serviço Nacional de Saúde (NHS, na sigla em inglês) britânico destinada a medicamentos e um encarecimento dos custos para o país europeu.
“Os EUA e o Reino Unido anunciam este preço negociado para produtos farmacêuticos inovadores, o que ajudará a impulsionar o investimento e a inovação em ambos os países”, afirmou hoje o Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, por meio de comunicado.
O comunicado do escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) afirmou que o Reino Unido aumentará o preço líquido que paga por novos medicamentos em 25% sob o acordo. Em troca, medicamentos, ingredientes farmacêuticos e tecnologia médica fabricados no Reino Unido seriam isentos das chamadas tarifas setoriais da Seção 232, que também foi usada para aplicar taxas aço, alumínio, cobre e automóveis.
Ao menos duas fontes anônimas afirmam que o acordo envolve uma ampla mudança na estrutura de avaliação de valor do NICE, um órgão governamental britânico que determina se novos medicamentos são custo-efetivos para o NHS.
O “ano de vida ajustado pela qualidade” (QALY, na sigla em inglês) do NICE mede o custo de um tratamento para cada ano saudável que ele proporciona a um paciente, com um limite máximo de 30 mil (o equivalente a US$ 39.789) por ano.
O presidente dos EUA, Donald Trump, pressionou o Reino Unido e o resto da Europa a pagarem mais por medicamentos americanos, como parte de sua estratégia para que os custos dos medicamentos nos EUA se alinhem mais aos praticados em outros países ricos.
A indústria farmacêutica criticou o ambiente operacional britânico “difícil” e algumas grandes empresas cancelaram ou suspenderam investimentos no país, incluindo a AstraZeneca, a maior empresa da Bolsa de Valores de Londres em valor de mercado.
Um ponto de discórdia entre o setor e o governo tem sido a operação de um esquema de preços voluntários que prevê que as empresas devolvam uma proporção das vendas ao NHS ao serviço de saúde. O USTR afirmou que o Reino Unido se comprometeu a reduzir a taxa de reembolso para 15% em 2026.
Fonte: Valor Econômico