Protagonista da maior recuperação extrajudicial (RE) da história no país, a Raízen disse nesta terça-feira (30) que está confiante que irá atravessar o atual momento financeiro. Segundo Nelson Gomes, presidente da empresa, a companhia aguarda o prazo legal para homologar o plano de RE, que deve acontecer até setembro deste ano.
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“Estou confiante, convicto, que essa combinação, tanto da nossa transformação operacional, quanto da transformação da nossa estrutura de capital, vai nos permitir atravessar esse nosso ciclo atual”, disse o presidente da companhia, uma joint venture entre Cosan, o conglomerado de Rubens Ometto, e Shell, que opera usinas de açúcar e etanol e distribuição de combustíveis.
Na teleconferência para comentar os resultados do exercício fiscal de 2025/26, encerrado em março, o executivo disse que este foi um dos períodos mais desafiadores dos últimos anos para a empresa. “Foi um cenário marcado por instabilidade geopolítica, condições climáticas adversas, volatilidade de commodities e juros elevados”, afirmou.
Gomes também afirmou que a Raízen tem tentado se tornar companhia mais simples, disciplinada na alocação de capital e focada nos negócios principais. “Isso direciona todos os nossos esforços para os negócios e unidades que dão de fato o maior retorno”, disse, referindo-se ao desinvestimento de ativos de energia e a redução do portfólio para 24 unidades produtoras de açúcar.
No exercício fiscal do ano safra 2025/26, encerrado em março, a Raízen ampliou o prejuízo em R$ 22,9 bilhões para R$ 27,1 bilhões, e a dívida líquida em 69,9%, para R$ 58,2 bilhões, na comparação com um ano antes. A maior parte do prejuízo, R$ 22,5 bilhões, resultou da reavaliação de ativos que a empresa teve de fazer, sobretudo, depois do pedido de RE protocolado em março.
O diretor de relações institucionais da Raízen , Phillipe Casale, disse que a empresa conseguiu avançar na rentabilidade de distribuição de combustíveis, mas enfrentou situação desafiadora em açúcar e bioenergia. O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do segmento de distribuição avançou 35,5% para R$ 5,7 bilhões no ano safra 2025/26 enquanto o de etanol, açúcar e bioenergia recuou R$ 23,9% para R$ 4,5 bilhões.
“Conseguimos avançar de forma estrutural na expansão da rentabilidade em combustíveis no Brasil, enquanto o setor de açúcar e bioenergia foi impactado por fatores conjunturais”, completou. Para a Cosan, a separação entre os negócios da Raízen é importante para dar sustentabilidade a eles. Esse desmembramento integra o plano de RE da companhia, que prevê abrigar na Raízen o negócio de distribuição e na Raízen Energia as usinas de açúcar, etanol e bioenergia.
O pedido de RE da Raízen foi protocolado com cerca de R$ 65 bilhões em dívidas sendo negociadas. A operação estabelece aporte de R$ 3,5 bilhões pela Shell e a previsão de potencial aporte adicional de R$ 500 milhões pela Aguassanta, o veículo de investimentos da família de Ometto. Neste mês, a adesão dos credores atingiu 80% dos créditos envolvidos na operação.
Fonte: Valor Econômico


