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A privatização da Sabesp recebeu apenas uma proposta, da Equatorial Energia, segundo fontes. A Aegea, outro grupo que analisava fazer uma oferta para se tornar acionista de referência, desistiu da disputa, conforme apurou o Valor. O prazo para a entrega da documentação dos candidatos se encerrou ontem.
O que afastou a Aegea, conforme antecipou o Valor, foi uma das cláusulas da oferta, que impôs a chamada “poison pill”, regra criada para impedir que um sócio se torne majoritário por meio de oferta hostil. A “poison pill” foi um problema principalmente para os parceiros financeiros da Aegea no consórcio, GIC e Itaúsa, que têm diversos fundos de ações que podem investir na Sabesp como minoritários.
A leitura, segundo fontes consultadas pelo Valor, é de que a Equatorial pode ter feito uma proposta “menos ambiciosa”, visto que a possibilidade de desistência da Aegea já estava sendo ventilada nos últimos dias.
No mercado, a expectativa era de que a Aegea seria quem poderia fazer uma oferta mais agressiva pela Sabesp, até mesmo por já ser uma operadora de saneamento. “A Aegea, por conhecer o setor, tinha capacidade de fazer o cálculo mais acurado”, diz uma das fontes, que falou na condição de anonimato. No entanto, a mesma fonte frisa que a Equatorial “é um excelente cavalo” e que não muda a oferta em termos de demanda.
O empresário Nelson Tanure, que também vinha estudando fazer uma oferta, não apresentou proposta formal, disseram fontes. No passado outros grupos estudaram a oferta, como IG4 Capital, Veolia, Cosan e Votorantim, mas todos já haviam desistido do processo.
Com isso, a perspectiva é que a Equatorial se torne sócia de referência da Sabesp. O grupo deverá ter 15% das ações e um terço do conselho de administração, além do poder de indicar o presidente do conselho. A empresa terá que ficar na Sabesp ao menos até 2029, prazo previsto para a universalização dos serviços de água e esgoto nas cidades atendidas.
O prospecto da oferta já previa a possibilidade de apenas um interessado em se tornar sócio de referência. Neste caso, este se classifica para a segunda fase, caso seu preço atinja o mínimo estabelecido pelo governo – o valor não foi revelado, mas já está definido pelo Estado. Na sequência, será feito o “bookbuilding”, etapa em que serão coletadas as intenções de investimento do restante do mercado. Caso se atinja a demanda mínima, a Equatorial sai vencedora.
Na privatização, o governo paulista, que hoje tem 50,3% das ações da Sabesp, irá vender até 32% do capital. Além dos 15% do sócio de referência, serão ofertados outros 17% ao mercado.
Conforme o prospecto preliminar, a Sabesp terá que tornar público os acionistas habilitados nesta sexta-feira (28). No caso, terá que informar ao mercado que apenas a Equatorial se qualificou. Pelo cronograma, a Equatorial ainda tem até hoje para fazer eventuais ajustes na documentação.
Procuradas, Aegea e Equatorial não comentaram. O governo estadual disse, em nota, que “os finalistas para a tranche prioritária de ações e seus preços serão divulgados amanhã (sexta-feira)”.
Fonte: Valor Econômico

