A possível entrada do Mercado Livre no varejo farmacêutico deve ter impactos limitados no curto prazo em redes de drogarias já consolidadas, mas tem potencial para mexer com as dinâmicas do setor num intervalo maior de tempo, avaliam analistas de investimentos. Conforme noticiado pelo Pipeline, o site de negócios do Valor, a companhia de comércio eletrônico está no processo de comprar a Cuidamos Farma, no bairro do Jabaquara, em São Paulo, que hoje pertence à Memed.
Na avaliação do Citi, o negócio pode significar o início de uma incursão da empresa argentina no segmento, o que traz preocupações quanto a um potencial aumento da concorrência. Nesse sentido, o banco avaliou que a notícia é negativa para a RD Saúde.
O Jefferies destacou que a aquisição de uma loja física é um passo estratégico para o Mercado Livre, uma vez que a legislação só permite a venda on-line de produtos farmacêuticos por empresas que também possuem e operam farmácias físicas.
O Itaú BBA, por sua vez, disse que os impactos do eventual ingresso da companhia no ramo de medicamentos só serão conhecidos com o tempo. Na visão da instituição, todavia, redes maiores e mais estruturadas, como RD Saúde, PanvelCotação de Panvel e Pague Menos, devem se sobressair em relação a concorrentes menores, que têm maior exposição a medicamentos isentos de prescrição.
Já a XP afirmou que, para as redes de farmácias estabelecidas, a chegada de um competidor com a escala e a capacidade logística do Mercado Livre representa um risco significativo, que pode, eventualmente, causar uma mudança no setor.
Para o BTG Pactual, a notícia não deverá surtir efeito no curto prazo. “Embora o sentimento possa permanecer pressionado, o cenário de curto prazo continua intacto. Seguimos esperando que o segundo semestre seja favorável para o setor, sustentado por crescimento de dois dígitos (liderado por genéricos e receita médica) e pela aceleração da demanda por GLP-1, impulsionada pelo lançamento do Mounjaro no Brasil”, disse o banco.
Perto do fechamento, as ações da RD Saúde cediam 0,4%, cotadas a R$ 17,48. Já os papéis da PanvelCotação de Panvel e da Pague Menos caíam 3,71% e 1,66%, a R$ 9,87 e R$ 3,56, respectivamente.
Fonte: Valor Econômico