Foi como se vários aparelhos que medem os sinais vitais apitassem ao mesmo tempo. Os médicos que ouviram o alerta já conheciam os sintomas, mas a sociedade ficou sabendo da crise em 19 de janeiro, quando saíram os resultados do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Entre 304 cursos avaliados, formandos de um terço deles tiveram predominância de notas 1 e 2, numa escala até 5.
O resultado é a falta de preparo de muitos recém-formados, a dificuldade relatada por gestores de hospitais para contratar profissionais jovens com qualificação e a piora no atendimento da população. “O Enamed veio para bem. O exame escancarou a realidade, agora dimensionada”, diz César Eduardo Fernandes, presidente da Associação Médica Brasileira (AMB).
Ante à crise, o Ministério da Educação (MEC) acionou um freio de arrumação: cancelou o edital da terceira edição do Programa Mais Médicos, cujo objetivo era abrir mais 5,9 mil vagas de medicina, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pelo Enamed, informou que o exame será aplicado também aos alunos do quarto ano de medicina, mas ainda sem data. Entidades como a AMB e o Conselho Federal de Medicina (CFM) defendem a exigência de uma prova de proficiência para que os recém-formados tenham acesso ao registro profissional. Outra demanda é a ampliação do número de vagas de residência, considerada prioritária por MEC e Ministério da Saúde.
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Fonte: Valor Econômico