A farmacêutica EMS se encontra com poucas alternativas após receber uma negativa do conselho de administração da Hypera em unanimidade, após reunião que aconteceu na noite de quarta-feira. A oferta hostil não foi bem recebida pelo maior acionista individual da companhia, João Alves de Queiroz Filho, o Júnior.
O conselho não deixou nenhum espaço para uma negociação, conforme deixou claro o comunicado divulgado ao mercado. Os próprios acionistas divulgaram nota, concordando com a decisão do colegiado, algo não tão comum em casos do gênero.
Uma fonte disse que uma estratégia que poderá ser adotada pelo dono da EMS, o empresário Carlos Sanchez, seria aumentar sua participação na HyperaCotação de Hypera, em compras na bolsa de valores, para poder pedir a convocação de uma assembleia de acionistas, para tratar da combinação das empresas. Sanchez já tinha começado a comprar os papéis e teria hoje cerca de 3%, precisando chegar a 5% para solicitar a convocação. Uma fonte disse, no entanto, que o grupo de controle da Hypera possui fatia significativa da empresa e dificilmente ele teria sucesso. Essa fatia do grupo de controle gira em torno de 36%, incluindo a fatia do grupo mexicano Maiorem. Nessa semana, Sanchez já vinha conversando com vários acionistas da Hypera para conseguir adesão com o argumento de que a companhia combinada teria mais valor.
Uma fonte próxima da empresa disse que, para a convocação da AGE, o conselho teria que aprovar sua convocação, o que seria muito difícil de ocorrer, até porque a EMS é competidora da Hypera. “E nenhum investidor vai votar contra o conselho para receber ações de uma companhia de capital fechado, sem números transparentes. Isso eventualmente só teria alguma chance numa proposta 100% ‘cash’ (em dinheiro), com um prêmio enorme”, disse uma fonte. Interlocutores disseram ser difícil avançar qualquer proposta inferior a R$ 50 por ação. Na proposta, foi feita oferta por R$ 30, o papel. “Não se faz oferta hostil à empresa com controlador”, disse uma das fontes. Outra fonte ponderou ainda que uma companhia com conselheiros com relações conflitantes tende a perder valor para a nova empresa.
Segundo estimativas do mercado, com a companhia combinada, João Alves de Queiroz Filho, conhecido como Júnior, da Hypera, teria sua participação diluída para cerca de 8%, uma fatia pouco relevante. Sanchez é conhecido no mercado por ter uma atuação bastante controladora no negócio, o que dificultaria uma relação entre ambos.
Ao mesmo tempo, a gestão da Hypera terá que convencer o mercado. Os papéis operam em queda de 3%. Havia uma expectativa de Sanchez de conseguir levar adiante a transação com a adesão de acionistas insatisfeitos com a performance da ação e, principalmente, após a divulgação na última sexta-feira de menor Ebitda e não divulgação de projeções. A Hypera opera com alto estoque de produtos.
Uma fonte disse que a movimentação poderá ainda atrair outras farmas para a mesa de negociação com a Hypera, muito embora a maioria esteja alavancada. No entanto, disse um interlocutor, isso poderia ser mitigado com uma fusão via troca de ações. Um nome que voltou a circular é o da EurofarmaCotação de Eurofarma que, há cerca de dois anos, chegou a conversar com Hypera.
A fusão entre EMS e Hypera seria um caminho para Sanchez ir pra a bolsa, um desejo que o empresário acalanta há muitos anos, segundo fontes. Seria uma forma da EMS ser uma empresa de capital aberto sem passar por todas as exigências para abertura de capital e poder captar recursos para investir em pesquisas clínicas e ter medicamentos com alto valor agregado e margens maiores, se tornar uma farma em outro patamar, deixando de ser apenas de genéricos.
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Fonte: Valor Econômico