A EMS já tem estrutura pronta para começar a produzir sua própria versão de caneta emagrecedora à base da semaglutida, princípio ativo da Ozempic e da Wegovy, da farmacêutica dinamarquesa Nova Nordisk, que expira nesta sexta-feira (20). A farmacêutica do conglomerado de Carlos Sanchez já solicitou o registro do medicamento, mas ainda aguarda o processo de avaliação regulatória.
“Ainda não temos a definição de preço, mas podemos adiantar que chegaremos de forma competitiva a esse mercado”, diz o vice-presidente da EMS, Marcus Sanchez, em comunicado. A farmacêutica só poderá iniciar a produção e a comercialização do medicamento após obter o registro junto a Anvisa, a agência reguladora brasileira.
A farmacêutica tem fábrica dedicada a medicamentos do tipo em Hortolândia (SP). Foi inaugurada em 2024, inicialmente para produzir, além da semaglutida, liraglutida, outro princípio ativo de canetas da Novo Nordisk que já expirou e para o qual a EMS passou a oferecer versões próprias desde 2025. A empresa afirma que essa planta já recebeu R$ 1,2 bilhão em investimentos e pode produzir até 20 milhões de canetas por ano.
“A EMS possui estrutura industrial instalada e preparada para essa etapa, mas qualquer atividade produtiva [relacionada a semaglutida] depende integralmente da autorização da Anvisa”, afirma o comunicado da farmacêutica.
Do ponto de vista regulatório, medicamentos dessa classe não têm versões genéricas, disse a farmacêutica do conglomerado de Sanchez. A caneta da EMS se tratará de medicamento novo com molécula já conhecida, no caso a semaglutida, com tecnologia diferente da utilizada no produto de referência da Novo Nordisk.
A velocidade com que o público brasileiro passará a ter acesso a alternativas às canetas à base de semaglutida também dependerá de outros fatores além do fim da patente, como a velocidade da análise regulatória da Anvisa e o nível de preparação prévio da indústria. Como neste caso há empresas se preparando com antecedência, a expectativa é de que versões alternativas cheguem ao mercado ainda neste ano.
Até ontem (19), a Anvisa tinha 14 solicitações para medicamentos sintéticos com semaglutida, uma para medicamento biológico, que combina insulina icodeca e semaglutida, e outra para biológico apenas com semaglutida. Entre outras farmacêuticas que já informaram interesse em entrar no segmento também estão HyperaCotação de Hypera, Biomm, e Cimed, além da Eurofarma, que já comercializa versões locais das canetas, em parceria com a Novo Nordisk.
Fonte: Valor Econômico