O médico Drauzio Varella publicou hoje um vídeo criticando a propostas das empresas de supermercados em vender medicamentos sem prescrição médica em suas lojas, como parte das medidas sugeridas por entidades ao governo. Ontem, o Valor antecipou que esse vídeo estava sendo produzido, com apoio da Abrafarma, que representa as farmácias.
A entidade é contrária à sugestão dos supermercados, encaminhada a ministros e ao presidente Lula em novembro.
Procurada para comentar, a Associação Brasileira de Supermercados (Abras) afirma que o debate do tema ocorrerá no âmbito das entidades setoriais e junto ao governo.
Segundo Varella, “acontecem coisas no Brasil que insistem em nos fazer andar para trás”, disse. “Veja o absurdo da discussão da venda de medicamentos em supermercados, padarias, empórios. Quantos anos levamos para pôr ordem nesse mercado. As farmácias são obrigadas a ter farmacêuticos de plantão, e estão ali para tirar dúvida e pôr ordem, orientar como usar os medicamentos, imagine vender isso sem nenhum controle”, afirma.
“Ah mas não precisa de receita médica”, dizem. E daí? Muitos medicamentos que não precisam de receita têm efeitos colaterais também”.
“Vender em qualquer lugar, e sem controle nenhum? Pra quê?”
De acordo com pessoa próxima à Abras, na proposta enviada ao governo, e em projeto de lei sobre o tema que transita pela Câmara dos Deputados, está especificado que apenas supermercados, hipermercados e atacarejos poderiam vender esses remédios. Além disso, disse que haverá farmacêuticos nas lojas, em escalas de turnos, que estarão disponíveis para atender aos consumidores.
No projeto de lei nº 1774/2019, é pedida autorização para a venda nos “supermercados e estabelecimentos similares”. Não é mencionado a presença de farmacêuticos nas lojas, segundo o anexo do projeto arquivado na Câmara.
O Valor já contatou Drauzio Varella, caso queira se manifestar sobre o tema.
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Fonte: Valor Econômico