O ano de 2024 estava se encaminhando para registrar um recorde no pagamento de dividendos , a fatia do lucro das empresas distribuída aos acionistas. Contudo, a distribuição perdeu ritmo em setembro e, caso a carruagem continue desse jeito, o recorde tem tudo para continuar sendo o que foi batido no ano de 2022 , apontam os dados da empresa Meu Dividendo , uma plataforma especializada na antecipação de dividendos.
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No acumulado de janeiro a setembro de 2024, foram pagos R$ 222,2 bilhões em proventos. Ainda é uma alta de 29% em comparação à distribuição de R$ 171,8 bilhões de dividendos no mesmo período de 2023. Contudo, é uma queda de 10% em comparação à distribuição de R$ 247,2 bilhões de dividendos no mesmo período de 2022, o ano de maior pagamento de proventos da história da bolsa brasileira.
Apenas no mês de setembro, o pagamento de proventos totalizou R$ 19,1 bilhões, uma diminuição de 38% em comparação a agosto. Em relação ao mesmo mês de 2023, o valor seguiu praticamente igual. Mas em comparação ao mesmo mês de 2022, houve uma diminuição de 63%.
As companhias que distribuíram o maior volume total em setembro foram a Vale (R$ 9,5 bilhões) e a Petrobras (R$ 6,8 bilhões). Apesar de serem bons dividendos, eles foram menores do que os montantes pagos no mesmo mês de 2022, o que ajuda a explicar porque o recorde pode não vir neste ano.
“Era ano [em 2022] de eleição presidencial e havia um esforço do governo para fechar as contas e gastar em obras sociais. Uma parte da arrecadação veio de dividendos de empresas públicas, e a principal é a Petrobras”, afirma Wendell Finotti, presidente da plataforma Meu Dividendo. “Já a subida do preço do minério de ferro e a aceleração do crescimento econômico chinês melhoraram as perspectivas para Vale”, diz.
Em seguida, as empresas que mais distribuíram dividendos no mês passado foram o Banco do Brasil (R$ 1,1 bilhão), a SYN Prop Tech (R$ 440 milhões) e a Whirlpool (R$ 313 milhões). Apenas 21 companhias distribuíram dividendos no mês de setembro. Setores importantes como o elétrico e o de saúde não pagaram dividendos, e os setores financeiros, de consumo e de bens industriais reduziram os pagamentos.
“O ano de 2022 deve se manter como o recorde no pagamento de dividendos. Para que 2024 consiga recuperar o status de recorde, dependerá muito dos resultados das empresas alcançados no terceiro trimestre a serem divulgados a partir da última semana de outubro”, afirma Finotti. “A expectativa é que empresas elétricas e financeiras anunciem um grande volume de proventos, a depender dos seus resultados. Também é esperado um anúncio novo de proventos da Vale”, diz.
Ele acrescenta que, apesar da distribuição de dividendos ser maior do que em 2023, o investidor deve ter atenção para escolher os investimentos pensando nos proventos. “Não tome a decisão baseada nos dividendos do passado. Tome a decisão baseado no que as companhias estão conseguindo entregar de lucro”, aconselha.
Até em ambientes de elevados juros como neste momento, é comum que alguns bancos, companhias de commodities, empresas de energia e outras geradoras de muito caixa — que não contam com dívidas grandes, não dependem da economia local e não fazem muitos investimentos — , consigam distribuir dividendos satisfatórios.
Apesar das ações estarem muito voláteis, muitas companhias continuam melhorando a sua eficiência e dando lucros melhores do que a média histórica. Assim, estão conseguindo pagar proventos muito bons e ainda dar ganhos com a valorização do preço das ações.
Contudo, não é hora de inventar, esperando dividendos altos de companhias mais dependentes da economia local, endividadas ou menores. Elas estão apertadas por causa dos elevados juros, entregando piores resultados, e não estão conseguindo distribuir dividendos rechonchudos.
Fonte: VALORINVESTE


