Thought of the day
As ações de semicondutores caíram na segunda-feira à medida que os investidores ficaram cada vez mais preocupados com riscos de financiamento atrelados aos gastos com infraestrutura de IA e com a intensificação da concorrência da China. A incerteza sobre a durabilidade do capex [capital expenditure, despesas de capital] e do crescimento em cloud, às vésperas de uma série de resultados de hyperscalers norte-americanos nesta semana, também manteve os mercados em alerta. O Philadelphia Semiconductor Index recuou 2,2%, com desempenho inferior ao ganho de 0,02% do S&P 500.
O recente desempenho relativo inferior da indústria de semicondutores tem sido notável, especialmente após sua forte trajetória no segundo trimestre deste ano. No último mês, o Philadelphia Semiconductor Index caiu 12,5%, enquanto os setores financeiro, de saúde e industrial registraram ganhos.
Mantemos uma perspectiva construtiva sobre os semis em meio à robusta demanda por IA, mas acreditamos que a recente divergência no desempenho setorial está alinhada à nossa visão de que há mais formas de participar de potenciais ganhos de mercado do que por meio de um conjunto restrito de ações ligadas à IA. De fato, enxergamos oportunidades entre setores e regiões.
Os fortes resultados nos EUA sugerem que o rally pode se ampliar para além da tecnologia. Os resultados da temporada de balanços do segundo trimestre têm sido fortes até agora, com quatro em cada cinco empresas superando as estimativas de lucro por ação. As equipes de gestão também apontaram para a continuidade da resiliência nos lucros corporativos. Os bancos entregaram sólido net interest income [receita líquida de juros] e crescimento de crédito em meio à robusta atividade nos mercados de capitais, enquanto as empresas de cartão de crédito reportaram gastos saudáveis dos consumidores e melhora nas taxas de inadimplência. As empresas de turismo também reportaram demanda robusta, enquanto os resultados da GE Vernova foram consistentes com a continuidade da força na demanda por eletrificação. Acreditamos que o risco é de que os resultados superem nossa estimativa de crescimento de 28% ano contra ano no lucro por ação do S&P 500 para o segundo trimestre, caso as empresas continuem a apresentar lucros sólidos nesse ritmo, e a força nos lucros entre os setores deve dar suporte a um rally mais amplo.
A liderança dos mercados asiáticos está se expandindo à medida que os retardatários regionais recuperam momentum. Os que tiveram desempenho inferior na região no primeiro semestre deste ano — incluindo o Sudeste Asiático, a China e a Índia — todos superaram os mercados do Norte da Ásia, mais concentrados em tecnologia, desde o início de julho. E embora a cadeia de suprimentos de hardware de IA na região deva continuar sendo um driver-chave, acreditamos que essa ampliação do desempenho pode ser sustentada em meio a um crescimento econômico resiliente e a uma melhora no momentum dos lucros. Por exemplo, a recuperação cíclica da Índia está sendo reforçada por drivers de crescimento estrutural além da IA, enquanto o movimento “Value-up” permanece um catalisador importante para mercados selecionados do Sudeste Asiático, como Singapura. Na China, esperamos que os lucros do setor de internet se estabilizem, e enxergamos oportunidades em setores cíclicos, incluindo financials [setor financeiro], industrials [setor industrial] e empresas selecionadas de consumer discretionary [consumo discricionário], bem como saúde.
A melhora na atividade da Zona do Euro aponta para um ciclo de lucros mais forte à frente. As leituras preliminares (flash) do PMI de julho para a Zona do Euro mostraram a primeira expansão na atividade empresarial em quatro meses, sustentada por uma renovada expansão nos serviços e pelo mais rápido aumento na produção manufatureira desde março de 2022. Os detalhes da pesquisa também mostraram que os novos pedidos subiram no ritmo mais acelerado desde abril de 2023, e o emprego aumentou pela primeira vez neste ano. Embora as tensões no Oriente Médio permaneçam um risco, achamos que a Zona do Euro está bem posicionada para se beneficiar de um fundo (bottoming) do ciclo industrial e de investimentos estruturais em IA, eletrificação, defesa e segurança energética. Antecipamos um ciclo de lucros significativo que excederá as expectativas atuais do mercado, projetando um crescimento de lucros de cerca de 25% ao longo de 2026 e 2027.
Portanto, continuamos a favorecer uma abordagem diversificada de investimento em ações, e acreditamos que os investidores podem se beneficiar de uma gama mais ampla de oportunidades e drivers de crescimento ao ampliar a exposição entre setores e regiões.
Fonte: UBS


