Faltando dois meses para o fim da patente da semaglutida — princípio ativo das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, da farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk —, há uma corrida neste mercado que, hoje, movimenta cerca de R$ 11 bilhões e pode dobrar de tamanho ainda neste ano.
A Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) já recebeu 13 pedidos de registro de medicamentos à base de semaglutida até agora. Entre as companhias farmacêuticas que informaram interesse em entrar nesse segmento estão HyperaCotação de Hypera, Biomm, EMS e Eurofarma, com a última tendo anunciado no fim de 2025 parceria com a dinamarquesa para a venda de duas novas canetas.
Segundo a Anvisa, há 12 solicitações para medicamentos sintéticos com semaglutida, princípio ativo análogo ao hormônio GLP-1, que inibe o apetite, e um para biológico, que combina insulina icodeca e semaglutida.
“Ela age no hipotálamo, região do sistema nervoso central que regula fome e saciedade, e também numa região que regula prazer e recompensa, para evitar que as pessoas acabem comendo sem sentir fome, simplesmente por sentir prazer”, explica Marcio Correa Mancini, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP).
No Brasil, a queda da patente da semaglutida está prevista para março. Segundo informa ao Valor a Novo Nordisk, também deve cair na mesma data em países como China, Índia, Arábia Saudita, Emirados Árabes e África do Sul. Em nota, a dinamarquesa se queixa de que apenas em território brasileiro a tramitação do processo administrativo, que concedeu a patente, “consumiu mais da metade do tempo de exclusividade de 20 anos previsto em lei.”
O fim da exclusividade abre espaço para a produção de versões genéricas ou biossimilares e, consequentemente, se espera redução de preços e ampliação do acesso ao tratamento. O Santander estima que esses medicamentos sejam comercializados com descontos entre 15% e 30% em relação ao produto de referência.
Os analistas do banco ponderam que, apesar da redução de preço, o medicamento ainda estará restrito a 4% a 10% da população brasileira, que é o contingente de pessoas adultas com sobrepeso e obesos com renda mensal acima de R$ 8 mil. Caso os planos de saúde passem a dar cobertura para as canetas emagrecedoras, o público atingido pode subir para 22% a 48% da população.
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Fonte: Valor Econômico