A farmacêutica Cimed vai investir R$ 90 milhões em expansão no seu complexo industrial de Pouso Alegre (MG). Os aportes devem ampliar em 30% a capacidade produtiva de medicamentos e categorias como higiene, beleza e nutrição. Ao mesmo tempo, a companhia segue avaliando oportunidades de aquisição, incluindo a Medley, da francesa Sanofi.
A primeira obra, prevista para terminar em dezembro, será a expansão da Fábrica 1 e de sua área de armazenamento de insumos, por R$ 17,5 milhões. A unidade é focada na produção de líquidos, pomadas e cremes, hormônios, vitaminas e antibióticos.
Os R$ 70 milhões restantes vão financiar a expansão do armazenamento da Fábrica 2, dedicada a genéricos e demais medicamentos sólidos orais, que será ampliada para 62,2 mil metros quadrados. A obra, cuja finalização está prevista para maio de 2026, também vai ampliar o centro de distribuição anexo à unidade.
O montante faz parte dos R$ 2 bilhões em investimentos produtivos anunciados em agosto de 2024. A companhia pretende ampliar o faturamento para R$ 10 bilhões em 2030.
No ano passado, a receita bruta da farmacêutica somou R$ 2,72 bilhões, alta de 21,1% em relação a 2023. Já o lucro líquido caiu 3,6%, para R$ 280,9 milhões. “Anunciamos esses investimentos e agora não é só falar, é executar. Acreditamos no nosso setor e vamos aliar rentabilidade com acessibilidade de produtos, avançar em linhas de consumo massivo”, disse ao Valor o CEO da Cimed, João Adibe.
Adibe afirma que não descarta oportunidades de aquisições, em meio à agenda de crescimento orgânico. Questionado sobre uma eventual compra da Medley, cuja aquisição está sendo negociada pela EMS, o executivo aponta que o negócio está sob avaliação.
“Estamos sempre antenados a oportunidades, dependendo do tamanho do negócio e de quem vão ser os concorrentes. Um dos grandes fatores para nosso aporte do fundo [Fundo Soberano de Cingapura] é a capacidade de comprar um portfólio, poderia ser a Medley”, disse.
Uma das novidades do portfólio neste ano foi o lançamento de uma linha infantil com itens de higiene pessoal e puericultura, como mamadeira e chupeta. A expectativa é de que a marca João e Maria represente um décimo dos R$ 10 bilhões esperados para 2030. A companhia também está ampliando o portfólio da Carmed, marca de protetores labiais, com itens como creme dental e enxaguante bucal.
“No primeiro trimestre deste ano, já conseguimos chegar a 80 mil pontos de venda com João e Maria, e vamos complementar a linha com mais quatro fragrâncias”, afirmou.
Apesar da expansão nas categorias de cuidados pessoais, a Cimed pretende manter sua relevância no mercado de genéricos. No segundo trimestre, segundo Adibe, as temperaturas mais frias ampliaram as vendas de medicamentos como antigripais, antialérgicos e da vitamina Lavitan. “Tivemos um crescimento da demanda desses produtos pois, depois de cinco anos, tivemos um inverno no Brasil”, disse.
A expectativa da companhia é de que o segundo semestre seja forte, considerando o lançamento de novos produtos e o início da operação das novas instalações da Fábrica 1. Além disso, segundo Adibe, o menor número de feriados também deve impulsionar o desempenho da companhia.
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Fonte: Valor Econômico