No cargo há pouco mais de um mês na OncoclínicasCotação de Oncoclínicas, Camille Faria renunciou na tarde deste domingo (15) do posto de vice-presidente executiva da rede de tratamento para câncer, segundo o Valor apurou.
Camille foi chamada para liderar uma profunda reestruturação da companhia que tem uma dívida bruta de R$ 4,8 bilhões (considerando o balanço do terceiro trimestre) e alavancagem superior ao limite acordado com os credores que é 3,5 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).
Na sexta-feira (13), o mercado foi pego de surpresa com a informação de que a Porto está negociando um aporte de R$ 1 bilhão na OncoclínicasCotação de Oncoclínicas. A ideia é criar uma subsidiária apenas com as clínicas, sem os hospitais. Deste valor, R$ 500 milhões seriam em troca de cerca de um terço do capital dessa subsidiária e a outra metade em debêntures conversíveis.
Se a transação for concluída, a Porto assume a gestão e parte do trabalho de reorganização da empresa muda. Camille defendia uma reestruturação por meio de negociação com os credores — que é uma de suas expertises já trabalhada em outras grandes reestruturações como Americanas e Oi. As conversas com os credores, inclusive, já haviam iniciado. Na última semana, a OncoclínicasCotação de Oncoclínicas anunciou que estava em conversas com debenturistas para solicitar uma postergação de pagamento do principal e juros por três meses (standstill).
Houve também um pedido de “waiver”, ou seja, para que os credores não considerem a alavancagem de 3,5 vezes acordada, no período de 90 dias. Em caso de quebra de acordo dos covenants, os credores poderiam pedir antecipação de pagamento.
Segundo fontes, a negociação com a Porto partiu de um grupo de acionistas minoritários com receio de uma possível recuperação extrajudicial ou judicial. Depois, a negociação envolveu outros sócios, sem interferência direta de Camille.
Camille chegou com “super” poderes ocupando um cargo que lhe dava a gestão das áreas de estratégica, negócio, jurídica, compliance, operações, novos negócios, suprimentos, tecnologia da informação e recursos humanos.
O novo CEO, o médico Carlos Gil, anunciado há cerca de dez dias, informou que só teria aceitado o cargo se trabalhasse com uma pessoa experiente em reestruturação.
Procurada, a executiva informou que não comenta.
Marcelo Cechi, sócio da Latache e membro do conselho da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas vai ocupar interinamente o cargo de Camille Faria.
A Latache é a segunda maior acionista da OncoclínicasCotação de Oncoclínicas e vem liderando as mudanças na companhia.
A ideia é que Cechi, engenheiro formado pela Poli-USP, conduza as negociações com a Porto e credores.
Fonte: Valor Econômico