O BTGCotação de BTG Pactual voltou a apresentar resultado recorde no segundo trimestre, impulsionado pelas áreas de crédito a empresas e gestão de patrimônio. Apesar dos números fortes, mesmo em um ambiente macroeconômico difícil, analistas destacam que o mercado traz desafios. Hoje, as units do banco caíram 1,97%.
O banco teve lucro líquido ajustado de R$ 2,949 bilhões no trimestre, com alta de 2,1% sobre o trimestre anterior e de 14,5% sobre mesmo período do ano passado. A receita ficou em R$ 5,990 bilhões, aumento trimestral de 1,7% e anual de 10,1%. Ambos os valores são recordes. Apesar disso, o retorno ajustado sobre o patrimônio (ROAE), uma medida de rentabilidade, caiu a 22,5%, de 22,8% no primeiro trimestre e 22,7% no segundo de 2023.
Outro indicador importante para o BTG, a captação líquida de clientes (“net new money”, no jargão em inglês), recuou e ficou em R$ 56 bilhões de abril a junho, abaixo dos R$ 64 bilhões obtidos no primeiro trimestre. Ontem, a XP anunciou que captou R$ 32 bilhões no segundo trimestre, avanço de 119% em relação aos três meses anteriores.
O CEO do BTG, Roberto Sallouti, afirmou que o período foi marcado por desafios tanto no cenário interno quanto externo, mas o banco conseguiu entregar resultados fortes, impulsionados por crescimento das receitas e aumento da alavancagem operacional. Em um mercado parado para emissões de ações, ele destacou que houve bom desempenho em dívida, além de um recorde na área de crédito. “Expandimos o portfólio com spreads saudáveis e diversificação de receitas”, disse.
A área de crédito corporativo teve receita de R$ 1,534 bilhão, incluindo as operações de atacado e de pequenas e médias companhias. Houve alta de 7% no trimestre e de 20% em um ano.
O portfólio de empréstimos somava R$ 194,8 bilhões no fim de junho, com avanço de 26,7% em 12 meses. Do total, R$ 23,4 bilhões são referentes a pequenas e médias empresas, aumento de 56,8%. O executivo afirmou que, apesar de a instituição não fornecer projeções, é “razoável” pensar em um crescimento acima de 20% dos empréstimos para empresas em 2024.
A área de gestão de recursos (asset management) teve receita de R$ 548 milhões, queda trimestral de 5%, mas aumento anual de 27%. Já na gestão de patrimônio e no banco de varejo (wealth management & consumer banking), a receita atingiu o recorde de R$ 928 milhões, avanço de 6% e 28%, respectivamente.
No período, houve captação de R$ 28 bilhões na asset, ante R$ 20,2 bilhões no primeiro e R$ 25,4 bilhões no segundo trimestre de 2023. Em wealth, ela foi de R$ 27,8 bilhões, de R$ 43,6 bilhões e
R$ 35,4 bilhões, respectivamente. O vice-presidente financeiro do BTG, Renato Cohn, afirmou que a queda em wealth se dá porque no primeiro trimestre o banco incorporou a operação da Órama, o que distorceu a base de comparação.
O banco de investimentos do BTG atingiu receita de R$ 558 milhões, com recuo de 15% frente aos três meses imediatamente anteriores e alta de 82% em um ano. Já em sales & trading (corretagem e operações de mercado), a receita foi de R$ 1,388 bilhão, aumento de 1% na comparação trimestral e recuo de 26% na anual. Sallouti disse esperar uma segunda metade do ano melhor na área.
Sobre as perspectivas para a Selic, Cohn afirmou que, em geral, taxas mais elevadas são ruins para o negócio, mas o banco tem mantido sua capacidade de captação. “O ambiente está bom, mas poderia ser um pouquinho melhor.”
Analistas dizem que os números vieram fortes, embora ligeiramente abaixo das expectativas, e que há pontos positivos e negativos. O Citi observa que o lucro 2% abaixo do consenso e da previsão da casa. O ItaúCotação de Itaú BBA afirma que, no geral, o BTG apresentou um “conjunto neutro de resultados, evidenciando alguns desafios de mercado, mas também boa execução e diversificação do negócio”. A casa observa que houve queda nas receitas da área de asset apesar da sazonalidade positiva e que a tesouraria continuou pressionada.
Fonte: Valor Econômico


