As inovações que despontam em institutos de pesquisa, universidades e empresas, inclusive startups, aumentam a participação brasileira nos registros de patentes. Estudo do Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) mostra que Estados Unidos e China lideram no mundo as patentes associadas a plantas da Amazônia. Em quatro décadas, o número de depósitos cresceu globalmente 30 vezes. Alimentos, medicamentos, cosméticos e agricultura são os principais usos.
São 43,4 mil invenções depositadas no mundo a partir da flora amazônica. Do total, menos de 10% estão protegidas no Brasil e, dessas, apenas 41% são de instituições sediadas no país. O cacau, com tecnologias na área de alimentos e cosméticos, está no topo, com 1,8 mil patentes no mundo. Já as inovações a partir do açaí e subprodutos correspondem ao sexto lugar entre as patentes dessa categoria no período. Além de fórmulas para novos alimentos funcionais, cosméticos e outras aplicações na saúde, há tecnologias patenteadas que utilizam os resíduos do fruto, por exemplo, em materiais na construção civil.
“Identificamos oportunidades para subsidiar políticas públicas e pesquisas em tecnologias ligadas à bioeconomia”, afirma Irene von der Weid, chefe da divisão de estudos e projetos do INPI, que se prepara para um diagnóstico, no próximo ano, das patentes referentes à biodiversidade de todos os biomas brasileiros. Também serão realizadas análises sobre patentes para biocombustíveis de aviação, tecnologias sustentáveis na metalurgia e biotecnologia.
Após o estudo inédito dos processos com plantas amazônicas, concluído no fim de 2023, foi mapeado o uso de microrganismos como fertilizante ou controle biológico de pragas na agricultura. A China também lidera as patentes nesse setor no mundo e no Brasil, onde somente 18% dos registros provêm de instituições e empresas residentes no país.
Nas tecnologias de edição gênica, que realizam alterações genéticas no DNA de animais, plantas e microrganismos para obter aplicações específicas, foram identificadas 4,3 mil patentes depositadas no mundo, entre 2010 e 2023.
No Brasil, foram 345 pedidos — quase todos feitos por instituições estrangeiras. As inovações estavam principalmente relacionadas à resistência de plantas contra insetos e outros organismos e a mecanismos de defesa em situação de estresse hídrico. Cana-de- açúcar, arroz, milho e soja são as culturas agrícolas citadas nessas patentes.
A Natura aparece no ranking como empresa brasileira com maior número de patentes (28 depósitos) relacionadas à biodiversidade. É o caso do novo complexo antioxidante obtido do caroço do açaí, ingá e cacau, para prevenir sinais precoces do envelhecimento. A tecnologia de extração foi desenvolvida no Ecoparque, hub de negócios mantido pela empresa em Benevides (PA) com investimento de R$ 1,2 bilhão, em dez anos. Hoje, há 20 novos bioingredientes em estudo no local — entre os quais, promissores ativos do tucumã, fruto bastante apreciado na culinária regional.
Fonte: Valor Econômico