05/07/2022 08h51 Atualizado há 24 minutos
O economista-chefe da corretora Nomura, Rob Subbaraman, garante que as principais economias do mundo entrarão em recessão nos próximos 12 meses. Segundo ele, que também é chefe de pesquisa de mercados globais, isso acontecerá à medida que os bancos centrais adotem uma política monetária agressiva para combater o aumento da inflação.
“Neste momento, muitos dos bancos centrais mudaram seu foco para essencialmente um único mandato – e ele é reduzir a inflação. A credibilidade da política monetária é um bem precioso demais para se perder. Então eles serão muito agressivos”, disse o economista em entrevista ao programa “Street Signs Asia”, da CNBC, nesta terça-feira (5).
“Temos apontado há vários meses sobre os riscos de uma recessão e mordemos a bala. E agora temos muitas das economias desenvolvidas realmente entrando em recessão”, continuou. “Morder a bala” é uma expressão em inglês para falar sobre aceitar uma situação difícil ou desfavorável. Se fosse em português poderíamos trocar por “aceita que dói menos”.
Subbaraman espera recessões na zona do euro, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Austrália e Canadá no próximo ano. Nos EUA, o economista prevê uma recessão superficial, mas longa, de cinco trimestres a partir dos últimos três meses de 2022.
“Os EUA entrarão em recessão – queda do PIB trimestral a partir do quarto trimestre deste ano. Será uma recessão superficial, mas longa. Isso deve durar cinco trimestres seguidos”, disse Subbaraman. O Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e o Banco Central Europeu estão entre aqueles que buscam frear a inflação recorde com aumentos de taxas.
Os bancos centrais de todo o mundo mantiveram uma “política monetária super frouxa” por muito tempo, esperando que a inflação fosse transitória, disse Subbaraman. Agora os governos precisam recuperar o atraso e tentar recuperar o controle da narrativa da inflação, disse ele à CNBC.
“Uma outra coisa que eu aponto quando você tem muitas economias enfraquecendo é que você não pode confiar nas exportações para crescer. Essa é outra razão pela qual achamos que esse risco de recessão é muito real e provavelmente acontecerá”, disse Subbaraman.
Fonte: Valor Econômico
