A queda dos preços ao consumidor nos EUA é boa notícia, mas o número em si não define o tamanho do corte de juros que provavelmente o Federal Reserve (Fed) fará em sua reunião de 17 e 18 de setembro.
O mercado financeiro se divide entre 0,25 e 0,50 ponto percentual para a primeira redução da Fed Fund Rate desde o primeiro trimestre de 2022, lembrando que a taxa atual está no intervalo de 5,25% e 5,5% ao ano.
Dados do CME Group apontam hoje, depois da divulgação do CPI, 56,5% de probabilidade na curva futura de juros americana pelo corte menor e 43,54% pelo maior. Essas apostas têm trocado de lado recorrentemente, a partir de novos dados divulgados, mas a novidade dos últimos dias é a tensão muito menor em torno de pouso forçado da economia dos EUA, o que dá alívio também aos mercados locais.
O CPI caiu em julho para o menor nível desde 2021, tanto na leitura da inflação cheia quanto do núcleo – medida menos volátil que exclui alimentos e energia. A primeira registrou 2,9% contra consenso de 3%, a segunda, 3,2%, de 3,3%. Os níveis atuais estão bem mais próximos da meta média de 2% do Fed e muito distantes do pico de 9% atingido em 2022 – foi um longo caminho de desinflação, que gera agora suspeitas de atraso do Fed, portanto, de medo de que uma recessão esteja logo ali.
O que de fato deve definir o rumo do juro americano é o estado do mercado de trabalho. Na última reunião do Fomc, o BC americano deu o recado de que o braço da atividade econômica do seu mandato entrava agora com mais peso para definir a política monetária, dada a melhora nos preços.
O último relatório do “payroll” foi um susto, com queda de vagas criadas e alta da taxa de desemprego para 4,1%. O próximo, no fim deste mês, será visto com lupa ainda maior e mais forte. Ademais, a próxima reunião do Fomc trará atualização das projeções econômicas do comitê e o indefectível “dot plot” – o gráfico com as expectativas individuais de seus membros para a Fed Fund rate nos próximos anos.
Isso é algo que pode mudar o jogo por aqui, ainda mais em tempos de discussão de elevação da Selic. Se este script – queda de juro lá e baixa aqui – for seguido, boas notícias devem vir para o câmbio.
Fonte: Valor Econômico


