O jornalista Cláudio Dantas afirmou, nesta quarta-feira (28), no programa Alive, exibido no YouTube, que o Ministério da Saúde, sob a gestão de Alexandre Padilha, teria atuado para acelerar a liberação de canetas emagrecedoras junto à Anvisa. Segundo ele, a medida teria ocorrido por meio de pedidos formais que resultaram em tratamento prioritário a produtos específicos.
Dantas disse que o Ministério da Saúde assinou parcerias para o desenvolvimento produtivo com a empresa Biom, que teria como sócio majoritário o Banco Master, de Daniel Vorcaro, e como controlador Valfrido Maresguia, ex-ministro e aliado político do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
De acordo com o jornalista, a Biom também firmou acordo de exclusividade para comercializar no Brasil canetas emagrecedoras. Ele afirmou que já havia denunciado anteriormente a participação de Padilha em um evento financiado pela EMS, indústria farmacêutica de genéricos, no qual o ministro gravou vídeo promovendo esses medicamentos e defendendo a ampliação do mercado.
Cláudio Dantas afirmou que, posteriormente, o ministério formalizou acordos com empresas ligadas a aliados do governo. Segundo ele, trata-se de uma relação entre agentes públicos e privados que merece questionamento. O jornalista disse que levanta hipóteses sobre eventual benefício a empresários próximos ao presidente da República e sobre pressão exercida sobre a Anvisa para acelerar registros.
Ele citou reportagem da Folha de S.Paulo publicada em dezembro, segundo a qual a Anvisa acelerou a análise de 20 pedidos relacionados a canetas emagrecedoras após solicitação do Ministério da Saúde. Para Dantas, o procedimento configuraria “furada de fila”, ao não se tratar de situação de emergência sanitária.
“O que eu quero saber é qual é a urgência que justifique essa pressão do Ministério da Saúde para isso”, afirmou o jornalista, ao questionar o tratamento diferenciado dado aos pedidos.
A cientista política Júlia Lucy afirmou que a obesidade é um problema de saúde pública, mas disse que a forma de atuação do governo brasileiro difere da adotada nos Estados Unidos. Segundo ela, o governo americano reduziu impostos para estimular concorrência e baratear os medicamentos. No Brasil, afirmou, haveria organização entre atores públicos e privados específicos.
Lucy declarou que, na sua avaliação, existe uma associação entre gestão petista e uso da máquina pública. “Onde tiver PT haverá corrupção, haverá o uso da máquina pública para beneficiar os seus”, afirmou.
O analista econômico Ary Alcântara disse que o setor farmacêutico apresenta problemas históricos no Brasil e no mundo. Segundo ele, consórcios formados entre empresas, bancos e governo tendem a gerar distorções, com pouco retorno efetivo à população. Alcântara afirmou que há políticos que associam suas imagens a medicamentos como se fossem soluções salvadoras.
O sócio da L4 Capital, Felipe Pontes, afirmou que empresas com prejuízos acumulados podem se beneficiar de incentivos e não recolher impostos por longos períodos. Ele disse que, em cenários hipotéticos, esse modelo favoreceria um novo tipo de capitalismo de compadrio, sem retorno tributário ao Estado.
O ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga afirmou que houve tentativa de acelerar registros na Anvisa envolvendo medicamentos agonistas de GLP-1. Segundo ele, a patente da semaglutida está próxima de expirar e o mercado potencial no setor público pode alcançar R$ 10 bilhões.
Queiroga disse que o benefício clínico dos medicamentos é reconhecido, mas destacou o alto impacto orçamentário e a necessidade de avaliação de custo-efetividade. Ele afirmou que a introdução no SUS deveria ocorrer com estímulo à concorrência e queda de preços, e criticou parcerias produtivas que, segundo ele, não trariam benefício ao sistema público.
O ex-ministro também afirmou que a relação entre o PT e políticas públicas na saúde segue um padrão conhecido. “O DNA dessa coisa é o DNA da corrupção e do malfeito”, disse, ao se referir a experiências anteriores com parcerias no setor.
As declarações foram feitas durante debate no programa Alive, apresentado por Cláudio Dantas, com participação de analistas e ex-integrantes do governo.
Assista ao programa na íntegra
Fonte: Claudio Dantas