Ações da Hypera (HYPE3) afundam após aumento de capital; BTG vê notícia como negativa A companhia informou que poderá emitir até 70,5 milhões de novas ações, o que representa uma diluição estimada de 10% para os acionistas atuais As ações da Hypera (HYPE3) caíram cerca de 9,8% nesta quarta-feira (4), após a farmacêutica anunciar um aumento de capital de até R$ 1,5 bilhão, movimento que foi mal recebido pelo mercado por envolver emissão de novas ações e, consequentemente, diluição para os acionistas atuais. A companhia informou que poderá emitir até 70,5 milhões de novas ações, o que representa uma diluição estimada de 10%, ou seja, o investidor que não participar da subscrição pode acabar com uma fatia menor da empresa, já que o número total de ações em circulação aumenta. O preço da oferta foi fixado em R$ 21,25 por ação, com desconto de 10,7% sobre a média dos últimos 30 dias. Na prática, esse desconto tende a pressionar as ações no curto prazo, já que o mercado passa a ter como referência um valor menor para os novos papéis. A operação pode levantar até R$ 1,5 bilhão, equivalente à cerca de 9% do valor de mercado da companhia, com tamanho mínimo de R$ 1,15 bilhão. Os acionistas controladores afirmaram que irão exercer integralmente o direito de preferência. Além disso, a Votorantim, integrante do bloco de controle, anunciou que atuará como investidor âncora e poderá absorver eventuais sobras, com aporte de até R$ 1 bilhão, o que reduz o risco de a operação não atingir o valor mínimo. Notícia é decepcionante, segundo o BTG Para o BTG Pactual, o anúncio foi negativo. Em relatório, o banco avalia que, apesar de a Hypera apresentar a operação como uma estratégia para fortalecer o balanço e reduzir a dívida, o aumento de capital sugere que a empresa estaria tendo dificuldades de reduzir seu endividamento “no próprio ritmo”, apenas com geração de caixa. O BTG classificou a operação como uma “opção amarga” justamente porque o custo recai sobre o acionista: ao emitir novas ações, a empresa levanta recursos, mas o investidor pode ser diluído e ver o preço do papel pressionado. Outro ponto destacado pelo BTG é que, mesmo no cenário máximo, o aumento de capital teria impacto relativamente pequeno sobre a alavancagem. O banco estima que uma captação de R$ 1,5 bilhão reduziria a dívida em cerca de 0,5 vez o EBITDA (lucro antes de juros, impostos e depreciação). Atualmente, segundo o BTG, a Hypera opera com endividamento de 2,4 vezes o EBITDA em base anualizada, e perto de 5 vezes quando considerada a métrica dos últimos 12 meses. Em outras palavras, isso significa que, mesmo com a operação, a empresa continuaria com um nível de endividamento considerado elevado para o setor. Recomendação neutra é mantida Diante do cenário, o BTG reiterou sua recomendação neutra para as ações da Hypera, destacando que o aumento de capital adiciona incerteza ao caso e que a empresa segue com desafios no processo de redução do endividamento. O banco também aponta que o retorno esperado para o investidor via geração de caixa em 2026 é relativamente modesto, em torno de 6%.
Fonte: Valor Investe