As ações da Novo Nordisk despencaram mais de um quinto nesta terça-feira (29), eliminando mais de 60 bilhões de euros (R$ 386 bilhões) seu valor, depois que a empresa reduziu drasticamente as previsões de vendas e lucros para o ano devido à concorrência de medicamentos genéricos para perda de peso nos EUA.
A fabricante dinamarquesa de Ozempic e Wegovy, uma das maiores empresas da Europa por capitalização de mercado, alertou que o crescimento das vendas anuais deve ficar entre 8 e 14%, significativamente abaixo da estimativa de maio, que era de 13 a 21%.
A empresa também reduziu sua previsão de crescimento de lucro para o ano, de 16 a 24% para 10 a 16%.

No meio da tarde na Europa, as ações haviam caído cerca de 21%, em uma queda que ofuscou a nomeação de um novo diretor executivo.
Os problemas refletem a concorrência no mercado de perda de peso dos EUA, tanto da rival Eli Lilly quanto de versões “manipuladas” —cópias— dos produtos da empresa dinamarquesa.
“Para o Wegovy nos EUA, a perspectiva de vendas reflete o uso persistente de [medicamentos] manipulados, expansão de mercado mais lenta que o esperado e concorrência”, disse a Novo.
As novas previsões também refletiram expectativas mais baixas para o Ozempic no mercado de diabetes dos EUA e para o Wegovy em alguns mercados internacionais, acrescentou.
As vendas nos primeiros seis meses do ano aumentaram 18% após a eliminação do efeito das flutuações cambiais, informou a Novo. O lucro operacional subiu 29%.
A empresa também anunciou que estava nomeando Maziar Mike Doustdar, atual vice-presidente executivo de operações internacionais, como diretor executivo.
Doustdar sucederá Lars Fruergaard Jørgensen no cargo principal na próxima semana e também se tornará presidente do grupo. Jørgensen foi destituído em maio depois que as ações da empresa caíram mais de 50% em 12 meses.
Doustdar, um nacional austro-iraniano, é o primeiro não-dinamarquês a liderar a empresa. Sua nomeação ocorre após uma busca que enfatizou o conhecimento comercial necessário para os EUA, depois do que alguns analistas veem como uma operação de marketing inferior à da Eli Lilly. Doustdar é um funcionário vitalício da Novo que administra todos os mercados, exceto os EUA.
Os problemas da Novo com medicamentos genéricos nos EUA remontam à escassez de Wegovy e Ozempic em 2022, bem como do tratamento para perda de peso Zepbound da Lilly. A Food and Drug Administration (FDA) dos EUA respondeu permitindo que outras empresas fabricassem versões desses medicamentos.
Embora a FDA tenha encerrado essa permissão este ano, a Novo tem encontrado dificuldades para interromper o fornecimento desses medicamentos alternativos. A empresa disse nesta terça que está movendo processos judiciais “para proteger os pacientes de medicamentos copiados”.
“Pesquisas de mercado da Novo Nordisk mostram que a manipulação em massa insegura e ilegal continuou”, afirmou. “Várias entidades continuam a comercializar e vender [medicamentos] manipulados sob o falso pretexto de ‘personalização’.”
No mês passado, a empresa encerrou uma parceria com o grupo de telemedicina americano Hims & Hers depois que a Novo alegou que estava comercializando enganosamente versões genéricas do Wegovy. A Hims & Hers acusou a Novo de “enganar o público” e disse que se recusa a ser “intimidada pelas exigências anticoncorrenciais de qualquer empresa farmacêutica”.
Fonte: Folha de S.Paulo