SAÚDE A cada 6 meses: nova injeção contra HIV promete prevenção prolongada; saiba quando chega ao SUS Lenacapavir atua de forma diferente dos antirretrovirais tradicionais Anvisa aprovou o lenacapavir, nova injeção semestral para prevenção do HIV, com eficácia superior à PrEP oral diária. A incorporação do lenacapavir ao SUS depende da análise de custo-benefício pela CMED e Conitec, devido ao alto custo anual estimado em US$ 28 mil. O lenacapavir age interrompendo o ciclo de infecção do HIV-1, variante predominante no Brasil, e pode beneficiar populações com acesso limitado à saúde. A prevenção ao HIV pode entrar em uma nova fase no Brasil, mas o caminho até isso acontecer está longe de ser simples. A aprovação do lenacapavir pela Anvisa abre a possibilidade de uma estratégia baseada em apenas duas aplicações por ano, algo inédito na história da profilaxia contra o vírus. Ainda assim, o alto custo do medicamento e a análise de impacto no orçamento público colocam a novidade sob escrutínio. A autorização concedida nesta semana não significa uso imediato no Sistema Único de Saúde. Antes disso, o governo precisa definir quanto o medicamento poderá custar no país e se o benefício compensa o investimento. A decisão passa pela CMED, que estabelece preços, e pela Conitec, responsável por avaliar se a incorporação faz sentido do ponto de vista econômico e sanitário. Menos doses, mais alcance — e mais debate O lenacapavir chama atenção não apenas pela duração do efeito, mas pela forma como age. Em vez de atacar enzimas do HIV, como fazem os antirretrovirais mais conhecidos, ele interfere na estrutura que protege o material genético do vírus. O resultado é a interrupção do ciclo de infecção antes que o HIV consiga se multiplicar. Ensaios clínicos apresentados à Anvisa indicaram proteção praticamente total contra o HIV-1, variante predominante no Brasil. Em comparações diretas, o desempenho superou o da PrEP oral diária, hoje distribuída gratuitamente pelo SUS. A agência reguladora, no entanto, deixou claro que a aprovação vale apenas para essa forma do vírus. O principal entrave está fora do laboratório. Segundo dados divulgados nos Estados Unidos, o custo anual da profilaxia com lenacapavir ultrapassa US$ 28 mil por pessoa. Caso valores semelhantes sejam praticados no Brasil, a incorporação ao SUS pode se tornar inviável, mesmo diante dos bons resultados clínicos. Especialistas apontam que o modelo de aplicação semestral poderia beneficiar populações com maior dificuldade de acesso aos serviços de saúde, como pessoas em situação de rua, trabalhadores do sexo e regiões com baixa cobertura da atenção básica. O medicamento existe nas versões oral e injetável, sendo a forma oral usada no início do esquema, seguida pela injeção subcutânea, repetida após seis meses. Entre o potencial de ampliar a prevenção e o desafio de financiar a inovação, o lenacapavir se tornou mais um teste para a capacidade do sistema público de saúde de absorver tecnologias de alto custo. Siga nosso canal no WhatsApp Siga-nos no Siga-nos no
Fonte: Revista Fórum