O Citi voltou a ficar otimista com o mercado de câmbio doméstico e se valeu da recente desvalorização do real para apostar na apreciação da moeda brasileira. E, desta vez, o banco montou estratégias para dois “trades” simultâneos, ao comprar o real contra o euro e também contra o dólar australiano.
As posições foram montadas na última sexta-feira, com o real na ponta comprada e euro e dólar australiano na ponta vendida. Na aposta do Citi, o euro deve cair de R$ 5,8950 no pregão passado para R$ 5,65. Já o dólar australiano deve ceder de R$ 3,5670 para R$ 3,42.
Por trás do otimismo dos estrategistas do banco com a moeda está a percepção de que o ambiente continua a apontar para a resiliência de moedas emergentes com juros reais elevados. “No caso do real, o mercado de trabalho apertado, a inflação elevada de serviços, os choques de commodities (guerra no Irã e El Niño) e a ausência de uma consolidação fiscal relevante provavelmente levarão o Banco Central a manter a taxa de juros inalterada até as eleições, preservando o elevado diferencial de juros (‘carry’) favorável ao câmbio brasileiro”, observam os profissionais.
O Citi acredita que o dólar deve continuar a receber suporte de um Federal Reserve (Fed) mais conservador e dos dados da economia americana, que devem seguir em ritmo forte. E, assim, os profissionais do banco avaliam que o euro deve figurar na ponta mais fraca, o que torna uma posição comprada em real e vendida no euro mais atrativa.
“Já o dólar australiano representa outra alternativa de financiamento que reduz a sensibilidade do real aos termos de troca, ao comportamento mais amplo dos ativos de risco e ao próprio dólar, uma vez que a moeda da Austrália possui características semelhantes. Dessa forma, essa estratégia se aproxima mais de uma aposta puramente no diferencial de juros”, afirmam os profissionais do Citi.
No entanto, há riscos para os “trades” praticados pelo Citi. Entre os listados pelo próprio banco está uma eventual antecipação, pelo mercado, de maiores chances de vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva na eleição de outubro. Apesar disso, os estrategistas observam que o mercado já incorporou um prêmio de risco eleitoral nos preços dos ativos. “Em nossa avaliação, o desempenho recente mais fraco da taxa de câmbio real efetiva reflete tanto alguma deterioração dos termos de troca quanto a precificação de uma probabilidade maior de vitória de Lula.”
Na manhã desta segunda-feira, por volta de 11h50, o euro era negociado a R$ 5,91 e o dólar australiano era cotado a R$ 3,57.
Fonte: Valor Econômico


