Bastidores da Natulab: a fraude, os italianos e um cheque de mil reais

A venda da farmacêutica Natulab foi concluída ontem, com o controle, antes detido por fundos do Pátria, passado ao fundo Pettra, dos donos da fabricante de resinas Polirex. A companhia tinha ainda um grupo de investidores italianos como acionistas minoritários que, dada a cláusula de drag along, também venderam sua fatia no negócio. Mas os italianos saíram chiando: à véspera da assinatura do contrato, entraram com um pedido de liminar no TJ-SP para impedir a transação.

O juiz negou, a transação seguiu, mas os italianos avaliam ainda uma potencial arbitragem, afirma Tiago Cisneiros, do escritório do Serur Advogados, que representa o grupo de investidores pessoa física.

O negócio, como antecipado pelo Pipeline, não recupera o montante investido pelo Pátria, mas nem todas as cifras eram conhecidas até agora. A aquisição foi concretizada com um pagamento à vista de R$ 1 mil, distribuídos entre todos os acionistas proporcionalmente. Há possível complementariedade de R$ 42 milhões daqui a cinco anos, se cumpridas certas condições, como desempenho da farmacêutica e contingências, detalha a petição do Serur Advogados.

Os (antigos) minoritários se manifestaram como favoráveis a uma venda da companhia, mas contestaram na petição o formato, destacando que, apesar de a empresa ter capital social de R$ 288 milhões e faturamento anual na casa de R$ 500 milhões, a transação teve valor simbólico.

Acontece que, além de estar com operação deficitária, queimando caixa, os próprios contestantes ressaltam outro aspecto que teria espantado parte dos interessados. Em 2020, o conselho foi alertado sobre potencial fraude de funcionários e executivos da Natulab, o que ensejou a contratação de uma investigação independente. Pinheiro Neto, Alvarez e Marsal e Pwc foram contratados e comprovaram irregularidades em compensações tributárias, dações, emissão de duplicatas e fraudes contábeis, detalha o documento – o que resultou na demissão de executivos e funcionários por envolvimento direto ou negligência, com contratação de novo comando administrativo.