As farmácias da Extrafarma pareciam simbolizar uma retomada do movimento de fusões e aquisições no varejo farmacêutico brasileiro, que até então só havia acontecido no início da década passada com a Raia Drogasil e o Grupo DPSP.
Em 2022, a Pague Menos investiu R$ 737 milhões na compra da oitava maior rede de farmácias do país – sétima se consideradas apenas as redes associadas à Abrafarma. De acordo com o ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo (SBVC), a Extrafarma detinha um faturamento de R$ 2,1 bilhões e 481 PDVs.
A aquisição aumentou de 1.165 para 1.646 o número de lojas da Pague Menos, mas o market share teve avanço tímido de 5,7% para 6,1%. A pressão sobre custos aumentou e o resultado fica escancarado na relação entre receita e despesa. Enquanto a lucratividade líquida totalizava R$ 192 milhões em 2022, a varejista cearense convive com um prejuízo de R$ 12,3 milhões no balanço de janeiro a setembro de 2023.
Em novembro do ano passado, a Pague Menos oficializou a intenção de fechar 20 PDVs da Extrafarma. Antes desse anúncio, oito unidades haviam sido fechadas em razão de condições concorrenciais do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) e outras 35 por razões operacionais.
E com a revisão para baixo da expansão territorial, a companhia viu suas ações na B3 despencarem mais de 11% na semana passada. Analistas do Itaú BBA rebaixaram a recomendação de compra dos papéis da varejista, que passou para o status neutro, e reduziram o preço-alvo de R$ 5 para R$ 4,20 até o fim deste ano.