Como sobreviver ao inverno psicodélico

ick Doblin e Christian Angermayer, cada um a seu modo, pregam otimismo e profetizam uma nova era, renovando sua fé no capitalismo para levar a salvação da saúde mental às massas.

Ex-hippie que manteve acesa a chama por 37 anos na Maps (Associação Multidisciplinar para Estudos Psicodélicos), Doblin faz contrição na mensagem que circulou sobre a entrada de US$ 100 milhões aplicados por investidores de risco no braço empresarial Maps PBC, criado em 2014, que passou a se chamar Lykos Therapeutics.
O interesse mercadológico na Maps recai sobre a licença que ela espera obter para tratar transtorno de estresse pós-traumático (TEPT) com psicoterapia assistida por MDMA (ecstasy). Testes clínicos de fase 3 foram realizados, e a agência de fármacos norte-americana FDA pode autorizar esse protocolo ainda neste ano ou no próximo.

“A Maps deu as boas-vindas a investidores quando percebemos que a maior perda de benefício público viria se a terapia assistida por MDMA para TEPT não fosse aprovada e disponibilizada pela FDA devido à falta de recursos”, escreveu Doblin. Para ele, a Maps foi vítima do nosso próprio sucesso:

“Ao longo de décadas de filantropia, quando não havia financiamento governamental/público e os investimentos privados não faziam sentido financeiro, dados os estigmas e obstáculos políticos, os doadores da Maps ajudaram a criar o contexto cultural e o renascimento psicodélico que incubou centenas de empresas psicodélicas com fins lucrativos, muitas negociadas no mercado. Inadvertidamente, a ascensão de empresas com fins lucrativos tornou mais difícil angariar doações adicionais.”

Em fevereiro a FDA decidirá se aceita ou não fazer o exame dos dados apresentados pela Maps PBC/Lykos. Caso aceite, poderá revisá-los em seis meses (via prioritária) ou dez meses (padrão). Em resumo, com sorte a decisão pode sair ainda em agosto.

O passo seguinte será da agência de combate a drogas (DEA), que por lei tem 90 dias, após decisão da FDA, para tirar MDMA da lista mais restrita de substâncias controladas, o famigerado Schedule 1. Enquanto isso, a Lykos vai se dedicar a erguer uma estrutura comercial para oferecer o serviço terapêutico.

Conheça os novos tratamentos para coceira crônica

Já estão sendo desenvolvidos medicamentos contra a coceira.

Nemolizumab, por exemplo, se concentra no receptor de IL-31. Ele já completou os testes clínicos de fases 2 e 3 para o tratamento de dermatite atópica —uma forma de eczema que causa pele seca, coceira e inflamação.

Para as pessoas que sofrem dessa condição debilitadora, já existe o dupilumab, um medicamento recentemente aprovado que inibe os receptores de IL-4 e IL-13. E outras medicações, como EP262, abrocitinib e upadacitinib, também estão em testes de fase 3 para o tratamento da dermatite atópica.

EP262 bloqueia o receptor acoplado à proteína G relacionado a Mas X2 (MRGPRX2), enquanto abrocitinib e upadacitinib interferem nos processos de IL-4 e IL-13, inibindo um receptor chamado JAK1.

A coceira crônica está relacionada a distúrbios dermatológicos como eczemas, urticária e psoríase, entre outros.

Outras condições relacionadas à coceira também podem se beneficiar de novos tratamentos.

Em 2023, por exemplo, o médico e professor de dermatologia Gil Yosipovitch, da Escola de Medicina da Universidade Miller, em Miami (EUA), trabalhou com Brian Kim e outros pesquisadores para realizar testes de fase 3 para uso de dupilumab no tratamento de prurigo nodular (PN) —a mesma condição de Shayanne Boulet.

Após 24 semanas, 60% dos participantes que receberam dupilumab observaram redução significativa da coceira, em comparação com 18,4% dos participantes que receberam placebo.

Por isso, a Administração de Alimentos e Drogas dos Estados Unidos (FDA, na sigla em inglês) aprovou o uso de dupilumab para o tratamento de pacientes com PN.

Bactérias resistentes a antibióticos crescem nos hospitais

A disseminação de bactérias e outros microrganismos resistentes a quase todos os antimicrobianos disponíveis é um pesadelo mundial. Ela ocorre desde que os primeiros antibióticos começaram a ser usados e avança rapidamente, tirando o sono dos especialistas por representar uma ameaça a uma das maiores conquistas da medicina moderna: a capacidade de debelar infecções. Sem antibióticos eficientes, fica quase impossível realizar cirurgias, transplantes e tratamentos quimioterápicos contra o câncer em segurança. Problemas comuns, como um corte mais profundo ou uma infecção respiratória, podem se tornar uma ameaça à vida.

“Poucas intervenções aumentaram tanto a longevidade humana quanto a oferta de água tratada e o desenvolvimento de vacinas e antibióticos”, conta o infectologista Arnaldo Lopes Colombo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), que coordena o Instituto Paulista de Resistência aos Antimicrobianos, um dos Centros de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) apoiados pela FAPESP. Algumas estimativas indicam que o uso de antibacterianos para tratar infecções aumentou a longevidade humana em cerca de 20 anos.

Pesquisa avalia reputação da indústria farmacêutica

Uma pesquisa inédita sobre a reputação da indústria farmacêutica revelou que o impacto social do setor é um dos quesitos mais valorizados pelos pacientes. É o que aponta a pesquisa Pharma e ESG, da PatientView.

O estudo teve como objetivo analisar como a indústria é vista nesse sentido e quais pontos são os mais importantes para consumidor. As informações são do Setor Saúde.

Para 67% dos entrevistados, as ações sociais das farmacêuticas são muito importantes. Os demais braços, governança e meio-ambiente, foram considerados muito importantes por, respectivamente, 60% e 34% dos respondentes.

Quando falamos de entidades que representam pacientes, 76% levam em conta o impacto social na hora de escolher um laboratório para estabelecer algum tipo de parceria.

O estudo colheu 832 respostas entre julho e outubro de 2023. 173 áreas terapêuticas foram cobertas em 79 países diferentes.
O estudo indicou o peso da reputação da indústria farmacêutica entre pacientes com HIV. Para este público, em particular, a responsabilidade social é o traço mais importante (90%).

Por outro lado, pacientes que convivem com alergias ou problemas respiratórios costumam se atentar mais as ações da indústria farmacêutica em relação ao meio ambiente (67%).

Baly fecha parceria com Cimed

A Baly, empresa de Santa Catarina e principal nome nacional no setor de energéticos, firmou uma parceria com a gigante da indústria farmacêutica Cimed para lançar uma marca de energéticos exclusiva da farmacêutica. De acordo com reportagem da revista Exame, o novo produto vai se chamar Flynow e deve chegar ao mercado nos próximos dias.

O projeto desenvolvido com a farmacêutica será um energético de marca própria, vendido pelas duas empresas, afirma a revista. A Baly venderá no varejo alimentar. A Cimed fará a distribuição no fármaco.

CIMED rediscute patrocínio e pode deixar Palmeiras

Parceira do Palmeiras desde setembro de 2022, a CIMED, empresa de ramo farmacêutico, está em processo de rediscussão de patrocínio, prevista em contrato, e tem futuro incerto no Verdão, apurou o NOSSO PALESTRA. Existe o interesse, por parte da diretoria do Maior Campeão do Brasil, de manter a parceria.

O acordo entre o alviverde e a empresa farmacêutica é válido até o fim de 2024. A Betfair, patrocinadora master do futebol feminino, não teve seu vínculo renovado para a atual temporada.

Hypera (HYPE3): BB-BI corta preço-alvo e rebaixa recomendação para neutra

O BB-BI rebaixou a recomendação para ação da Hypera (HYPE3), fabricante de medicamentos cuja ação acumula queda 13% nos últimos 12 meses, de compra para neutra, uma vez que o preço corrente reflete o valor justo da empresa, de acordo com os analistas.

Segundo relatório, o fraco desempenho do papel se deve ao contexto envolvendo discussões acerca dos benefícios tributários a que faz jus, mudança no regramento dos juros sobre capital próprio, bem como um ambiente mais fraco para venda de antigripais e correlatos nos últimos trimestres, prejudicando o resultado da companhia.

Mantendo o tom pessimistas, os analistas reduziram o preço-alvo de R$ 45,90 para R$ 38,10, após incorporar os resultados referentes ao terceiro trimestre de 2023 (3T23), as mudanças no tratamento das subvenções de ICMS trazidas pela Medida Provisória 1185/23 e atualização das premissas macroeconômicas.

A MP 1185/23 introduz uma nova sistemática de compensação de créditos tributários advindos de subvenção de investimento relacionada ao ICMS, incluindo a distinção entre custeio e investimento, o cumprimento de requisitos de habilitação, o estabelecimento de um prazo para ressarcimento do crédito fiscal não compensado, dentre outros aspectos.

Com isso, analistas entendem que atual dinâmica de compensação de benefícios fiscais praticada pela Hypera passará por mudanças, elevando o IRPJ/CSLL devidos pela companhia.

Em termos de lucratividade, o BB-BI projeta um Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado de R$ 3,267 bilhões em 2024 e 2025, com margem Ebitda ajustada de 35,9% em ambos os períodos.

Já para o lucro líquido, a previsão de R$ 1,896 bilhão neste ano e R$ 2,419 bilhões em 2025.

Por fim, o banco destaca que a tese de investimento da Hypera baseia-se no envelhecimento populacional favorecendo as vendas no setor farmacêutico, bem como na forte presença nacional da companhia no setor farmacêutico e nos principais segmentos de medicamentos.

Aquisição cancelada

A Novartis desistiu de comprar a biofarmacêutica americana Cytokinetics, em uma operação avaliada em US$ 9 bilhões. A desistência afetou as perspectivas do mercado por um acordo de compra do promissor desenvolvedor de medicamentos para o coração. A gigante suíça estava próxima de comprar a Cytokinetics com a intenção de incrementar suas pesquisas em biotecnologia. A americana está em processo de venda e é possível que outro candidato possa surgir.

Covid: CFM pede opinião médica sobre vacinação em crianças

O CFM (Conselho Federal de Medicina) está realizando uma pesquisa para ouvir a opinião dos médicos sobre a obrigatoriedade da vacinação contra a Covid em crianças de seis meses a menores de cinco anos, o que vem causando polêmica no meio médico.

Neste ano, a vacina para esse público foi incluída no Calendário Nacional de Vacinação. Desde a sua aprovação pelo Ministério da Saúde, em dezembro de 2022, ela enfrenta resistência de pais, motivada por notícias falsas, desinformação e por opiniões médicas contrárias à imunização.

Evidências científicas demonstram que a vacina é efetiva e segura para a faixa etária. Mais de 60 países já a adotam desde 2021. No entanto, até agosto, somente 11% dos brasileiros de até cinco anos estavam vacinados contra a Covid.

Em comunicado publicado nesta quinta (11), a SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) disse que a pesquisa do CFM não trará nenhum benefício à sociedade.

Remédios devem indicar substâncias consideradas doping

O presidente Lula (PT) sancionou, sem vetos, o projeto de lei que obriga rótulos de medicamentos a indicarem a presença de substâncias consideradas doping.

A proposta foi aprovada em dezembro no Congresso e publicada no Diário Oficial da União desta sexta-feira (12). Ela só entra em vigor, contudo, em 180 dias.

A proposta altera a lei de vigilância sanitária de medicamentos, de 1976, para constar o seguinte trecho: “Os medicamentos que contenham substâncias proibidas pelo Código Mundial Antidopagem deverão trazer obrigatoriamente alerta com essa informação nos rótulos, nas bulas e nos materiais destinados a propaganda e publicidade, na forma do regulamento.”

O objetivo da mudança é evitar em atletas o doping acidental –quando há, sem intenção, consumo de substância que melhor a performance esportiva, o que é irregular, segundo o Comitê Olímpico do Brasil.