Mudanças em doenças demandam investimentos, diz líder da Roche para LatAm

Uma mudança de paradigma preocupa a indústria farmacêutica e coloca à prova as empresas que operam na América Latina: tanto o volume de doenças quanto a demanda por tratamentos têm mudado e a estrutura dos sistemas de saúde ainda não é capaz de lidar com essa evolução. Esse ambiente de transformação destaca a necessidade de adaptação dos países da região, de acordo com Rolf Hoenger, diretor da Roche Pharma para a América Latina, em entrevista à Bloomberg Línea.

Para Hoenger, a América Latina está em um ponto de inflexão em que a adaptação dos sistemas de saúde às doenças não transmissíveis (DNTs) não é apenas uma necessidade médica, mas também uma oportunidade estratégica para impulsionar o desenvolvimento e o crescimento econômico da região.

Em entrevista à Bloomberg Línea, Pasquale Frega ressalta a relevância de novos modelos de distribuição de terapias com a esfera pública e diz que a região tem janela de oportunidade

Como executivo da Roche Pharma, Hoenger mora no Brasil há dez anos e viveu outros 23 anos em países como Argentina, Peru, Colômbia, Equador e outros da América Central. Ele também esteve à frente da criação da divisão asiática da Roche.

Em 2022, a Roche respondeu por 6% do mercado farmacêutico global, com um valor estimado de US$ 1,48 bilhão, de acordo com estimativas da Statista, atrás apenas da Pfizer (PFE), com uma fatia de 9%.

Cerca de 7% do PIB global é direcionado a atividades com impacto negativo na natureza, diz Pnuma

Cerca de US$ 7 trilhões de recursos públicos e privados são investidos por ano, no mundo, em atividades que têm impacto negativo direto na natureza – o equivalente a algo próximo a 7% do Produto Interno Bruto global.A estimativa está no último relatório State of Finance for Nature divulgado na COP 28 pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

Os investimentos em soluções baseadas na natureza somaram cerca de US$ 200 bilhões em 2022, diz o estudo. Os fluxos financeiros para atividades que prejudicam a natureza foram mais de 30 vezes superiores.

Remédio contra Parkinson produzido pela Fiocruz vira referência nacional

Utilizado para o tratamento da doença de Parkinson, o medicamento dicloridrato de pramipexol, produzido pelo Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), passou a ser referência nacional para qualquer laboratório que tenha interesse em produzi-lo no Brasil, conforme divulgou a instituição. A fabricação é permitida nas concentrações 0,12 mg, 0,250 mg e 1,0 mg. A inclusão na lista de medicamentos de referência da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aconteceu na sexta-feira passada, 8.

“Receber essa designação da Anvisa atesta a qualidade, eficácia e segurança dos medicamentos de Farmanguinhos, proporcionando segurança aos profissionais de saúde e aos pacientes que fazem uso da medicação por meio do Sistema Único de Saúde (SUS)”, afirma Juliana Johansson, chefe do departamento de Gestão de Desenvolvimento Tecnológico da Farmanguinhos/Fiocruz.

Entre os critérios que levaram a essa medida, tem o fato de que o medicamento de referência presente na lista anteriormente, o Sifrol, não está mais disponível no mercado brasileiro, devido ao pedido de cancelamento por parte da empresa farmacêutica Boehringer Ingelheim. Para garantir a autonomia nacional na produção do medicamento contra o Parkinson, a Fiocruz já havia feito uma parceria com a farmacêutica alemã. O anúncio ocorreu em 30 de março de 2022.

Na ocasião, o presidente da Boehringer Ingelheim do Brasil, Marc Hasson, disse que a parceria de desenvolvimento produtivo (PDP) era de extrema relevância para a autonomia nacional na produção de medicamentos. “Dessa forma, os pacientes que têm a doença de Parkinson podem se beneficiar e ter acesso ao tratamento”, reforçou ele.

Bill Gates elogia sistema de saúde pública do Brasil: ‘Outros países podem aprender e imitar’

Bilionário fundador da Microsoft publica texto no qual destaca o SUS e seu ‘impacto transformador’.
“Em cerca de três décadas, o Brasil reduziu a mortalidade materna em quase 60%, reduziu a mortalidade infantil de menores de cinco anos em 75% – ultrapassando em muito as tendências globais – e aumentou a esperança de vida em quase uma década. Nenhuma dessas conquistas foi acidental. Em vez disso, são o resultado de investimentos de longo prazo que o Brasil fez no seu sistema de saúde primário, com os quais outros países podem aprender e imitar”, escreveu no artigo Lições de salvamento de vidas do Brasil.