Estudos clínicos e equidade: existe reciprocidade? – por Carmino de Souza, Aline Paulin Pimenta Aché e Danilo Gonçalves
enças falciformes e a carência, ainda latente, de um olhar direcionado para a população negra no Brasil, uma vez que a incidência da doença é maior para este perfil. Ou seja, isso reflete diretamente na disparidade de tratamento em grupos menos privilegiados em estudos clínicos.
Outro exemplo a ser profundamente observado diz respeito à disparidade no tratamento do câncer e reflexos na mortalidade de pacientes negros e outras minorias raciais que não participaram, de maneira representativa e proporcional por amostragem demográfica, de estudos clínicos anteriores.
Mais um exemplo tem relação com um artigo publicado na revista Blood (2) de abril deste ano, o qual se baseia em um cenário que analisou nove grandes ensaios clínicos de um grupo cooperativo de casos recém-diagnosticados com mieloma múltiplo. O dado chocante é que por mais de duas décadas apenas 18% dos participantes eram não-brancos. A disparidade causa estranheza se estamos falando de uma doença com taxas de incidência duplas para pacientes negros do que aquelas observadas em pacientes brancos, tendência esta que se estende para as taxas de mortalidade.
